Itália cria ‘decreto da dignidade’ e coloca receitas do futebol em risco

A Serie A considera que, caso o ‘decreto da dignidade’ obtenha aprovação parlamentar – cuja maioria é composta pelos dois partidos coligados em governo – os clubes de futebol italianos sairão prejudicados em relação aos clubes europeus.

Giuseppe Conte

O governo populista italiano quer acabar com a publicidade a casas de apostas em todas as suas formas, notícia o site espanhol eleconomista. Luigi di Maio, ministro do trabalho do governo resultante da coligação entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga do Norte, foi o grande impulsionador do ‘decreto da dignidade’.

Para o ministro italiano, era crucial uma intervenção do executivo neste campo uma vez que se trata de “uma emergência social”. Em causa estaria a exposição a este tipo de publicidade à população italiana economicamente mais desfavorecida que, em consequência, deteriorava a economia familiar.

O ‘decreto da dignidade’, embora não revogue os contratos de publicidade atualmente em vigor, proíbe a sua renovação, afetando diretamente o calcio italiano. Mais de metade das 20 equipas da Serie A, primeira divisão italiana de futebol, têm acordos de patrocínio com casas de apostas e estima-se que, anualmente, estes contratos de patrocínio gerem 700 milhões de euros.

Ainda segundo a publicação, a Serie A considera que, caso o ‘decreto da dignidade’ obtenha aprovação parlamentar – cuja maioria é composta pelos dois partidos coligados em governo – os clubes de futebol italianos sairão prejudicados em relação aos clubes europeus.

Em Portugal o ‘Código da Publicidade’ permite a publicidade a casas de apostas desde que esta seja “efetuada de forma socialmente responsável, respeitando, nomeadamente, a proteção dos menores, bem como de outros grupos vulneráveis e de risco, privilegiando o aspeto lúdico da atividade dos jogos e apostas e não menosprezando os não jogadores, não apelando a aspetos que se prendam com a obtenção fácil de um ganho, não sugerindo sucesso, êxito social ou especiais aptidões por efeito do jogo, nem encorajando práticas excessivas de jogo ou aposta”.

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