José Félix Morgado na despedida: “Começámos a construir uma nova Caixa Económica”

“Cumprimos”, diz José Félix Morgado na sua carta de despedida aos colaboradores. “Saio porque fui fiel aos meus princípios éticos e profissionais, sem ceder a interesses que não sejam os da instituição e dos trabalhadores. Teria sido mais fácil acomodar pedidos ou ceder a promessas”, reforça o presidente cessante do Montepio.

Montepio

O até agora presidente executivo da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) despediu-se dos colaboradores do banco com quem trabalhou desde 2015, altura em que assumiu a presidência do banco. Na nota de despedida, enviada por e-mail, e a que o Jornal Económico teve acesso, faz o balanço do trabalho que a equipe liderada por si fez no banco que hoje deixou nas mãos de Carlos Tavares.

“Para além da recuperação económica e financeira, cumpre-me sublinhar o reforço do governo societário e do sistema de controlo interno. Começámos a construir uma nova CEMG, retomando a inovação e concretizando a agenda digital”, salienta José Félix Morgado.

Trabalhadores do banco vão ter participação nos lucros  em 2018

“Reforçámos a formação a par do desenvolvimento técnico de todos e introduzimos a Igualdade de Género. Pedimos o vosso sacrifício nas actualizações salariais e progressão de carreira mas, em simultâneo, abrimos a possibilidade de uma maior partilha dos resultados que se deve iniciar já em 2018”, revela o ex-presidente do banco.

“Melhorámos o PWC Compliance Index de 60% para 90%. Tudo valeu a pena. De facto já ficaram esquecidos os três momentos em que só a nossa força, compromisso, entrega e perseverança permitiram assegurar a continuidade desta instituição. Só essa constatação demonstra a medida da nossa contribuição”, constata José Félix Morgado.

“Após quase três anos de trabalho conjunto impõe-se uma última palavra de agradecimento pessoal pelo vosso compromisso, suporte e perseverança que nos permitiu devolver à CEMG a reputação, notoriedade e rentabilidade que são os pilares da sustentabilidade”, lê-se no e-mail enviado aos colaboradores.

“Cumprimos”

“Como sabem, não acredito em projectos pessoais. Cada passo, cada degrau, cada concretização, ganhámo-los em equipa. E não há nada mais objectivo do que os indicadores económicos e financeiros que definimos em 2015 – antes de iniciar estes trabalho de recuperação – e que cumprimos”.

Numa mensagem com alguns recados ao responsável pela Associação Mutualista, Tomás Correia que acaba de mudar da administração do banco antes do fim do mandato, Félix Morgado diz mesmos que “quer alguns queiram, quer não, eles [resultados] são positivos. Devemos, por esse motivo, estar orgulhosos e de consciência tranquila, não dando importância aos poucos que procuram menosprezar o nosso trabalho colectivo destes quase três anos”.

De facto “quem fala não faz, não sabe fazer”, reforça.

“Partilhando com todos os meus seis colegas de Conselho, e com todos vós, cumpri a missão que me foi confiada. Sempre na linha da frente. Sempre só. Sempre apenas com os colegas do CAE [Conselho de Administração Executivo] que comungam dos mesmos valores. Sempre com o vosso suporte. Sempre com a solidariedade do Conselho Geral e de Supervisão. Sempre com contínua colaboração, proximidade e confiança do Banco de Portugal”, escreve o até agora presidente do banco.

“Sempre com desapego pelo lugar que ocupei, porque entendo que para servir temos que estar despojados desse nosso estatuto e de tudo que acarreta. Sempre com desprendimento para, em qualquer momento, poder “pegar na mala”. Somos o que somos e não a função que desempenhamos”, afirma Félix Morgado, adiantando que “aliás, revelamos o que somos no exercício da função que desempenhamos”.

“Saio porque fui fiel aos meus princípios éticos e profissionais, sem ceder a interesses que não sejam os da instituição e dos trabalhadores. Teria sido mais fácil acomodar pedidos ou ceder a promessas”, diz sem hesitar Félix Morgado.

“É difícil ser vertical, sério, honrado e garantir um governo societário rigoroso. Esse foi o caminho que escolhi há muito e do qual não me afasto”, adianta.

“Como vos disse “é preciso deixar rasto”, e por isso deixo também este testemunho de firmeza nos princípios e de desapego a interesses pessoais” lê-se na e-mail.

“Sei que a grande maioria de vós comunga dessa postura de vida. Estou, por isso, confiante no futuro que todos vós continuarão a construir em conjunto com o vosso novo Conselho de Administração”.

Félix Morgado deixa um apelo: “Unam-se em torno desta vossa Liderança, com confiança, com a mesma entrega e com o mesmo compromisso que já demonstraram. Juntos continuarão a construir o futuro da CEMG”.

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