Jose Vouilamooz: o “Sherlock Holmes” das castas

Um dos maiores especialistas mundiais de castas, suíço de nascimento, vai estar em Portugal. Gosta de valorizar algumas das variedades clássicas que estavam em segundo plano, mas que começam agora a ser encaradas com outros olhos.

Jose Vouilamooz é mais conhecido por “detetive das castas”. Para este especialista suíço, a fama que conquistou não está relacionada com a descoberta de tipos de uvas, mas com a descoberta, através da análise de ADN, “de sinonímias insuspeitas (vários nomes para a mesma casta), homónimos (o mesmo nome para castas diferentes) e relações de parentesco entre castas.”
A descoberta mais surpreendente foi, ao mesmo tempo, a mais difícil, do ponto de vista científico. “Em 2006, descobri uma ligação genética entre o Pinot e o Syrah, sendo que, o mais provável, é o Pinot ser um bisavô do Syrah – algo que ninguém tinha suspeitado antes. Cheguei a esta conclusão, através da investigação ao perfil de ADN de um elevado número de regiões (60 quando a maioria dos estudos analisa entre 10 a 35) e de uma abordagem estatística complexa.”

O Wine Summit, em Cascais, vai reunir nos dias 7, 8 e 9 de Junho, no Centro de Congressos do Estoril alguns dos especialistas internacionais mais reputados do sector do vinho.   Portugal é já o 11º produtor mundial de vinho e o quinto maior europeu, com as exportações a atingirem 727 milhões de euros, em 2016.

Na próxima semana vai ser possível ouvir o contributo de Eric Asimov, editor-chefe de vinhos do jornal “The New York Times”; Felicity Carter, uma das mulheres mais poderosas do sector; Lulie Halstead, co-fundadora da Wine Intelligence, uma espécie de agência de informação sobre o mundo dos vinhos; Geoff Kruth, um dos melhores sommeliers do mundo; Alice Feiring, consultora reputada no universo dos vinhos naturais; Jamie Goode, guru da ciência e um dos maiores comunicadores do vinho; Paul Symington, decano de uma das mais reputadas famílias do sector do Vinho do Porto; Michelle Bouffard, uma das maiores especialistas sobre vinhos canadianos, entre muitos outros.

Por exemplo, Natalia Velikova, docente na universidade do Texas e uma das maiores autoridades sobre esta matéria, irá explicar que o enoturismo representa muito mais do que as simples visitas a adegas. Vai revelar aos participantes diversas oportunidades económicas e culturais que têm vindo a ser desperdiçadas.

Por enquanto, Vouilamooz ainda não fez nenhuma descoberta reveladora sobre castas portuguesas. “Mas acompanhei com grande interesse o trabalho de alguns dos meus colegas. No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito para identificar todas as castas que existem nas vinhas antigas misturadas, compreender as relações de parentesco entre elas e avaliar a genealogia das castas portuguesas.”

Sobre Portugal e os vinhos portugueses tem a seguinte opinião. “Sou um grande fã de vinho do Porto, e sem grande espanto os meus preferidos são os Taylor’s, Fonseca e Niepoort. Nos vinhos tranquilos gosto especialmente da casta Baga. Apaixonei-me, recentemente, pelo Post Quercus 100% Baga da talentosa Filipa Pato, um vinho das Beiras fermentado e envelhecido em talhas. Outros dos meus preferidos é Alfrocheiro da Quinta das Marias, no Dão. Quanto aos brancos, gosto do Antão Vaz, da Herdade da Malhadinha Nova, no Alentejo e do Dona Fátima Jampal da Biomanz, em Lisboa.”

Com este evento, o setor vínico português vai beneficiar, não só, desta experiência, mas também, das críticas e elogios que deverão ser feitas durante a cimeira. “Vou sublinhar a necessidade de existir maior conhecimento e preservação das vinhas antigas bem como um estudo mais aprofundado sobre a origem e a história das castas portuguesas”, acrescenta o especialista.
Através desta reflexão, pretende-se ainda trocar ideias, aprofundar conhecimentos sobre o sector vitivinícola – seja na produção, comércio ou indústria – assim como antecipar tendências, oportunidades e desafios que poderão ser determinantes para tomar decisões de negócio.

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