Juros da dívida em mínimos de dezembro antes da avaliação de ‘rating’

As dívidas soberanas na zona euro estão a beneficiar da ideia de que o Banco Central Europeu poderá prolongar a compra de ativos além de setembro. Em Portugal, a dívida está também em destaque devido à primeira avaliação da notação deste ano.

No dia em que é alvo da primeira avaliação de rating de 2018, Portugal está a beneficiar de uma descida nos juros da dívida soberana. A tendência é generalizada aos países periféricos da zona euro, sendo que as yields das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos já tocaram o valor mais baixo em três meses.

Os juros benchmark de Portugal caem 3,5 pontos base no mercado secundário para 1,74%, após terem tocado os 1,73%, valor em que não negociavam desde dezembro.

No caso de Espanha, as yields perdem 1,2 pontos base para 1,37%, enquanto as de Itália recuam 2 pontos base para 1,96% e as da Grécia 1,3 pontos base para 4,2%.

As dívidas soberanas na zona euro estão a beneficiar da ideia de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá prolongar a compra de ativos além de setembro. O programa de Quantitative Easing decorre atualmente a um ritmo mensal de 30 mil milhões de euros em ativos adquiridos, até essa data. No entanto, Peter Praet deu esta sexta-feira indicação que seria necessária calma na retirada dos estímulos monetários.

“A mensagem é que vai ser um processo de saída muito lento”, explicou o economista da ABN Amro, Nick Kounis, à agência Bloomberg. “Por termo à compra de ativos vai ser bastante prolongado e subidas nas taxas de juro ainda vão demorar. Vai ser tudo muito lento porque a recuperação da inflação também vai ser muito lenta”.

A queda acontece num dia em que a dívida nacional está em destaque também por outras razões. Esta noite, após o fecho dos mercados norte-americanos, a Standard and Poor’s irá publicar um relatório sobre o país. Atualmente, o rating da dívida portuguesa pela agência está em ‘BBB-‘ (o primeiro nível de investimento).

A S&P deverá elogiar os progressos da economia portuguesa, mas manter o rating inalterado, segundo os analistas consultados pelo Jornal Económico.

Em setembro, a S&P surpreendeu os mercados ao fazer um upgrade da notação de Portugal, passando-a para grau de investimento. A decisão não era espera porque a perspetiva era ‘estável’ e é pouco comum a decisão de subir o rating sem ter a perspetiva ‘estável’. Desta vez, a situação é a mesma e poderá ser o outlook a centrar as atenções.

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