Ladainha dos despolitizados caiu em Itália

Os italianos não querem mais do mesmo e destruíram a ladainha de que as pessoas estão despolitizadas e vão atrás das políticas que vendem “banha da cobra”.

1. Itália está ingovernável! Venceu o populismo! Estas foram parangonas dos media após as eleições naquele país.

Mas aquilo que o eleitorado transmitiu é algo bastante mais poderoso. Não quis o populismo simples porque se o quisesse teria votado Berlusconi (tal como Valentim Loureiro adoraria oferecer eletrodomésticos). Preferiram votar no Movimento 5 Estrelas e na Liga, ou seja, num projeto antieuropeu, num projeto que rejeita estrangeiros e muçulmanos, num projeto antissistema e antiglobalização.

Isto significa algo diferente do populismo, antes uma afirmação de que a população italiana não quer mais do mesmo, destruindo a ladainha de que as pessoas estão despolitizadas e que vão atrás das políticas que vendem “banha da cobra”. Dirigentes como Barroso e Constâncio em nada ajudaram à unificação e, recorde-se, depois de Carlos Magno e Napoleão Bonaparte, esta é a terceira grande tentativa para unificar a Europa.

O Velho Continente vê-se também envolvido numa guerra comercial com o tradicional aliado, os EUA. Estes querem impor restrição ao aço e a Europa ao sumo de laranja. Os protecionismos emergem quando se antecipam fragilidades e a verdade é que a China, Índia, Paquistão ou Tailândia conseguem produzir e ter preço competitivo para todo o mundo, enquanto a Europa só consegue colocar os seus produtos nos EUA e a Suíça, por exemplo, só tem três mercados.

O futuro a curto prazo é a perda do estatuto de super potência para os EUA e da União Europeia como grande bloco económico, algo que almejou mas nunca conseguiu. São tempos de disrupção, como dizia esta semana o professor Daniel Traça, no International Club of Portugal, onde antecipou um futuro pouco auspicioso para europeus e americanos, com maiores clivagens sociais e perdas de influência.

2. As atrocidades na Síria não param. Este é o local onde a Rússia, a China e os EUA testam os últimos modelos de armas e onde se desfazem dos equipamentos antiquados. Faz-nos lembrar a guerra civil espanhola, no final dos anos 30, que foi o teatro de guerra onde Alemanha, Itália e Rússia testaram equipamentos.

3. Pedro Passos Coelhos foi convidado para lecionar numa universidade pública. Levantaram-se vozes contra. Antes de mais é um professor convidado, e nada mais. Isto significa que poderá dar aulas por um semestre, dois semestres, por um período ou durante um ano letivo. Quer se goste quer não do estilo, em Ciência Política um governante que fez a gestão do país durante uma das suas piores crises terá, de certeza, algo para ensinar. Relembremos que foi PPC que tirou o país da intervenção externa, e recordemos que foi o único com capacidade para mandar “lixar” as eleições. E, se se estudar um pouco de história política, vemos que esta foi a opção de vários Chefes do Governo durante a I República.

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