Lesados do BES protestam contra Governo e associações “que não defendem todos” os clientes

Um grupo de lesados do antigo Banco Espírito Santo protesta hoje no Porto contra o Governo, que “ficou com a provisão” existente para “devolver a totalidade do investimento”, e as associações “que não defendem todos” os clientes.

Hugo Correia/Reuters

Um grupo de lesados do antigo Banco Espírito Santo (BES) protesta hoje no Porto contra o Governo, que “ficou com a provisão” existente para “devolver a totalidade do investimento”, e as associações “que não defendem todos” os clientes.

A informação foi adiantada à Lusa por António Silva, um dos lesados do papel comercial vendido pelo antigo BES e dos organizadores do protesto agendado para o período entre as 11:00 e as 15:00 na Avenida dos Aliados, junto às instalações do Novo Banco e do Banco de Portugal.

“Vamos protestar contra o Governo, que no fundo foi quem ficou com a provisão que garantiam que existia para nos pagar a totalidade do investimento e contra as associações que foram criadas para defender todos os lesados e lutar pela totalidade do capital e não foi isso que aconteceu”, descreveu António Silva.

“A AIEPC [Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial] não podia violar determinadas regras e passou por cima de isso tudo. Devia haver uma investigação, porque não se compreende que uma associação formada para defender todos os lesados coloque um advogado para fazer contratos individuais a cada lesado”, lamentou António Silva.

O organizador do protesto criticou ainda as “associações criadas para lutar pela totalidade do capital” dos lesados, algo que “não aconteceu”.

“Estou a falar das associações do papel comercial e mesmo da associação dos emigrantes, porque os colegas emigrantes foram forçados a aceitar um acordo que só vai até 75%, quando o que era transmitido aos lesados era a totalidade”, afirmou António Silva, explicando que o grupo de lesados em protesto reúne cerca de 200 pessoas.

O lesado lembra que as aplicações propostas pelo BES foram apresentadas como tendo “capital e juros garantidos” e que, ao longo dos anos, “os gerentes do banco garantiam que tudo estava bem, que era seguro, que não havia risco”.

“Depois, garantiam que havia uma provisão para nos pagar. Há documentos de que a provisão passou para o Novo Banco. E depois do Novo Banco, para o Banco de Portugal e, no fundo, para o Governo, que ficou com nosso dinheiro”, destacou António Silva.

“Mataram pessoas. São criminosos. Deviam ser responsabilizados por crime. Isto é uma burla toda planeada. A forma como apanharam as nossas assinaturas é uma autêntica armadilha. Andaram a transmitir que tinham a provisão para depois a roubar”, acusou o lesado.

Cerca de 2.000 clientes que compraram 400 milhões de euros em papel comercial, aos balcões do BES, viram o seu investimento perdido aquando da queda do banco e do Grupo Espírito Santo no verão de 2014, apesar de haver uma provisão destinada a pagar-lhes.

A solução encontrada (entre a associação de lesados, Governo, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Banco de Portugal, BES ‘mau’ e Novo Banco), no final de 2016, para estes lesados propõe que recuperem 75% do valor investido, num máximo de 250 mil euros, isto se tiverem aplicações até 500 mil euros.

Já acima desse montante, irão recuperar 50% do valor.

Quanto ao pagamento, será feito pelo fundo de recuperação de crédito, devendo esse pagar 30% da indemnização aos lesados (cerca de 140 milhões de euros) logo após a assinatura do contrato de adesão à solução. O restante valor será pago em mais duas parcelas, de futuro.

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