Lisboa quer poupar 75% de água potável com nova rede de água reciclada

Até 2025, a CML antecipa uma redução de 6 milhões de metros cúbicos de água potável através do maior uso de água não potável para lavar ruas, regar espaços verdes ou para uso industriais.

A autarquia de Lisboa quer poupar água através do maior uso de água reciclada. A partir de hoje, a água utilizada e distribuída nos espaços públicos em Lisboa vai ser reciclada. Esta será destinada à lavagem de ruas, rega dos espaços verdes, uso industriais, uso recreativo e ambiental e na alimentação de espelhos de água.

“Com este  novo projeto passamos a poupar água potável e passamos a usar água que à saída das ETAR [Estações de Tratamento de Águas Residuais], invés de seguir o seu rumo normal, volta a reentrar no sistema e é reutilizada para fins que não exigem água potável”, anunciou Fernando Medina, esta segunda-feira no evento de apresentação, no Terreiro de Paço.

O presidente da Câmara da Lisboa (CML) apresentou esta segunda-feira, 8 de julho, ao lado do presidente das Águas do Tejo Atlântico António Frazão o novo plano para a distribuição de água reciclada para usos não potáveis na capital.

Esta nova rede de águas foi feita em colaboração com as Águas do Tejo e Atlântico e têm o nome de “Água+”. Aos jornalistas, Fernando Medina revelou que a elaboração do plano começou há dois anos e que este ano já começaram a instalar a nova tubagem. “Vamos passar a ver na cidade uma rede de hidrantes de água cor fuchsia num raio de 55 quilómetros de extensão”, explicou. “Estamos a falar de água reciclada, Água+”.

A concretização do plano está dividida em três fases, sendo que a primeira (2019-2020) abrangerá as zonas da Praça de Espanha, Parque Eduardo VII, Cidade Universitária, Santos, Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Campo das Cebolas, Bairro Alto, Vale de Chelas e Parque Tejo.

A segunda fase (2021-2022) abrangerá também o Campo Pequeno, Campolide, Largo de Camões, Avenida da Liberdade, Avenida Almirante Reis, Vale do Silêncio, espaços verdes da freguesia dos Olivais e Chelas.

Por fim, a terceira fase deste plano (2022-2025) expandirá a utilização de água reutilizada para a Estrela, Príncipe Real, Belém, Ajuda, Benfica, Campo Grande, Quinta das Conchas, Carnide/Feira Popular, Bela Vista e Cabo Ruivo.

Com esta nova medida, Fernando Medina e a administração das Águas do Tejo Atlântico prevêem uma poupança de 6 milhões de metros cúbicos de litros de água numa altura em que cada vez mais esse recurso é preservado devido às alterações climáticas. “Vamos conseguir uma redução de 75% dos consumos da Câmara de água potável e ter um envolvimento de grandes utilizadores privados que hoje utilizam água potável para fins que podem ser atingidos com água reciclada”, frisou.

De acordo com Fernando Medina, a CML tem apostado fortemente na redução do consumo de água, sendo que em 2014 tinha gasto 8 milhões de metros cúbicos (15% do total de água consumida) e em 2018 reduziu para 4 milhões de m3 (7% do total da água consumida). Para este novo projeto foram investidos 16 milhões de euros para a instalação desta nova rede que decorrerá nos próximos anos.

Este plano estratégico da reutilização das água em Lisboa é uma das medidas do no plano de ação do Lisboa Capital Verde Europeia, no qual a capital portuguesa foi eleita pela Comissão Europeia para ser para ser palco de várias iniciativas e projetos a decorrer em 2020.

Ler mais
Relacionadas

Portugal está “a viver de água que não tem”

A Associação Natureza Portugal, que representa a WWF, no país, alerta para má gestão e desperdício no consumo de água em Portugal, e faz recomendações a políticos, empresas e cidadãos, para inverter a situação

“Devemos agir agora”. Fernando Medina lança Lisboa Capital Verde 2020

A programação do Lisboa Capital Verde 2020 foi apresentada esta quinta-feira em Paços do Concelho. Iniciativa arranca em janeiro 2020 e tem em agenda um conjunto de atividades, inaugurações, eventos e conferências a decorrer ao longo do ano.

“Não agir não é opção”, diz ministro do Ambiente em conferência sobre alterações climáticas

Matos Fernandes sublinhou que Portugal tem “uma noção completa de todos os cenários das alterações climáticas”. Conferência do European Climate Change Adaptation (ECCA) 2019 tem lugar no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Recomendadas

Governo disponibiliza 600 mil euros para apoiar agricultores de Mação, Vila de Rei e Sertã

Esta decisão decorre da publicação, hoje, em Diário da República, de um despacho que reconhece este incêndio como “catástrofe natural”.

Fundo Ambiental vai aplicar um milhão de euros na adaptação às alterações climáticas

Proteção ao litoral, na recuperação de solos e na reabilitação da rede hidrográfica são algumas das áreas em que o Fundo Ambiental poderá conceder apoio financeiro.

Parlamento recomenda ao Governo declaração do estado de urgência climática

Foi publicada nesta segunda-feira, 29 de julho, a resolução da Assembleia da República que recomenda ao Executivo de António Costa que assuma o compromisso de promover a máxima proteção de pessoas, economias, espécies e ecossistemas, e de restaurar condições de segurança e justiça climáticas.
Comentários