Mais otimista sobre economia da zona euro, Draghi não reduz estímulos

Depois da reunião do Conselho de Governadores do BCE, na Estónia, Draghi mostrou-se mais otimista sobre as economias da zona euro. A estimativa do PIB até 2019 foi revista em alta, enquanto a previsão de inflação em baixa.

Kai Pfaffenbach/Reuters

O Banco Central Europeu (BCE) está mais entusiasmado sobre a robustez da economia da zona euro. O presidente da instituição, Mario Draghi anunciou que as previsões para o crescimento económico dos países da moeda foram revistas em alta, enquanto a estimativa para a inflação foi revista em baixa, esta quinta-feira, na conferência de imprensa depois da reunião de Conselho de Governadores, em Tallinn, na Estónia.

A previsão do BCE é que o PIB da zona euro cresça 1,9% este ano, 1,8% no próximo e 1,7% em 2019, o que significa um aumento de 0,1 pontos percentuais face ao que a instituição tinha dito há um mês. No primeiro trimestre do ano, o PIB cresceu 0,6%.

“A informação disponível desde a nossa última reunião de política monetária no final de abril confirma um impulso mais forte na economia da zona euro, que deverá expandir a um ritmo um pouco mais rápido do que o esperado anteriormente”, afirmou Draghi,

“Os riscos em torno das perspetivas de crescimento da zona euro são considerados amplamente equilibrados”, continuou. “Por um lado, o atual impulso cíclico positivo aumenta as hipóteses de um crescimento económico mais forte do que o esperado. Por outro lado, os riscos negativos relacionados a fatores predominantemente globais continuam a existir”.

Apesar desta perspetivas mais positiva, o BCE não está pronto ainda a mudar a estratégia monetária. O presidente do BCE fez questão de salvaguardar que “o BCE vai continuar no mercado durante muito tempo”, lembrando que depois do fim do programa de compra de ativos da zona euro, continuará uma política de reinvestimento.

Estímulos e juros mantém-se

Sobre a inflação, a previsão é agora de 1,5% este ano, 1,3% em 2018 e de 1,6% 2019, abaixo do que previa anteriormente. “O crescimento económico ainda não se traduz numa dinâmica de inflação mais forte. Até agora, as medidas da inflação subjacente continuam a permanecer subjugadas”, afirmou.

Draghi voltou, por isso, a defender que continua a ser necessário um nível substancial de política monetária acomodatícia para apoiar a inflação subjacente até ao objetivo do BCE.

O programa de compra de ativos da zona euro irá continuar, como previsto, a um ritmo mensal de 60 mil milhões de euros até dezembro “ou depois disso, se necessário, e de qualquer forma até que o Conselho de Governadores veja um ajustamento da inflação consistente com o objetivo”.

Questionado sobre se os mercados poderão encarar a mudança de discurso como uma indicação de que o tapering irá começar em setembro, Draghi afirmou que a normalização da política monetária não foi discutida, apesar de dois governadores terem referido o tema.

O BCE tinha já anunciado que os Governadores decidiram não alterar as taxas de juro de referência. A taxa de juro diretora fica em 0%, um mínimo histórico que está em vigor desde março do ano passado. Já a taxa de juro aplicável à facilidade de depósito continua em -0,40% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez mantém-se em 0,25%.

“O Conselho de Governadores mantém a expetativa que as taxas de juro de referência do BCE se mantenham nos níveis atuais por um período prolongado de tempo e bem além do horizonte do programa de compra de ativos”, voltou o banco central a reiterar no comunicado emitido ao final da manhã, retirando, no entanto, a referência à possibilidade de as taxas de juro passarem para “níveis mais baixos”.

Ler mais

Relacionadas

BCE: taxas de juro continuam em mínimos históricos

A taxa de juro diretora fica em 0%, um mínimo histórico, que está em vigor há mais de um ano, uma decisão que era esperada pelos analistas.

Com Draghi previsível, mercados olham para divergência do BCE face à Fed

A maioria dos analistas acredita que ainda não é desta que o BCE vai mexer nas taxas de juro ou nos estímulos. No entanto, esperam alterações para um discurso mais otimista, na reunião de política monetária do BCE esta quinta-feira.

Compra de Obrigações portuguesas pelo BCE cai para novo mínimo em maio

No mês passado, a instituição liderada por Mario Draghi diminuiu o ritmo da compra total de ativos da zona euro para 60 mil milhões de euros por mês. O valor das bonds portugueses caiu para um novo mínimo de sempre: 504 milhões euros, longe do pico de há um ano.
Recomendadas

PSI 20 acompanha Europa em alta. Títulos do Grupo EDP impulsionam praça nacional

O principal índice bolsista português soma 0,46%, para 4.855,54 pontos.

Abrandamento da economia poderá ser entrave para Moody’s igualar as pares na avaliação de Portugal

A Moody’s tem agendada uma avaliação à notação da dívida soberana portuguesa esta sexta-feira. A agência poderá querer alinhar-se com a S&P e a Fitch através de uma subida de um grau para ‘Baa2’, mas as incertezas que estão a esfriar o crescimento da economia global poderão ser motivo para manter o ‘status quo’.

Acalmia cambial trouxe bons resultados em Wall Street

O índice tecnológico S&P, .SPL.RCT, que inclui empresas que têm uma maior exposição ao mercado chinês e estiveram no centro das vendas registadas na segunda-feira, foi aquele que mais valorizou nesta sessão, com um crescimento de 1,61%.
Comentários