Mais um problema para a OPEP: China já não quer mais petróleo este verão

Gigante asiático prepara-se para diminuir em pelo menos 10% a sua importação de petróleo durante o verão, o que dificultará os esforços da OPEP para equilibrar a oferta e procura e fazer subir os preços.

Pouco tempo depois de ter sido anunciado o prolongamento nos cortes de produção dos países da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com o intuito de equilibrar a oferta e a procura e fazer subir os preços, o El Economista relata que as refinarias chinesas estão a refrear a sua atividade, o que acontece devido ao excesso de reservas acumuladas. Assim, o órgão espanhol espera que seja afetada a procura mundial e que o equilíbrio almejado pela OPEP fique mais longe. Recorde-se que a China é, desde 2014, o maior importador mundial de petróleo, consumindo diariamente 6,5 milhões de barris.

Uma vez que a OPEP se está a ver a braços com algumas dificuldades no que respeita à produção mundial, a recuperação da procura é a chave para restaurar o equilíbrio. Até agora, a China havia mantido imutável a sua atividade, aproveitando a baixa dos preços para ampliar as suas reservas e a sua capacidade de armazenamento. No entanto, as principais refinarias do país pararam grande parte das suas operações, numa altura em que o consumo de energia dispara por causa do aumento das temperaturas e das deslocações motivadas pelas férias.

Por exemplo, refere o El Economista, uma das principais refinarias da PetroChina, em Fushun, estará encerrada durante 45 dias, e a refinaria Sinopec vai diminuir em 23 mil barris a sua produção diária, menos 5% que a média de 2016.

“As refinarias deram conta que o mercado interno não consegue absorver a produção de gasolina e Diesel e a única solução é cortar a produção”, explica ao El Economista Gao Jian, analista do China Sublime Information Group.

O analista refere ainda que a produção de material refinado deverá cair cerca de 1,3 milhões de barris e que, para reduzir gradualmente o excedente, é expectável que a China comece a exportar produtos petrolíferos, o que colocará mais pressão no mercado.

Segundo a Reuters, quase 10% da capacidade das refinarias será afetada e os produtores da África Ocidental e da Europa já sentem a redução de pedidos, que se refletiram numa baixa de preços, com mínimos de sete meses. As exportações de Angola atingiram mínimos históricos e os pedidos de petróleo do Mar do Norte foram reduzidos em 2 milhões de barris durante 2017, face aos seis milhões de barris exportados em igual período de 2016.

Alguns analistas referem que o padrão de compra da China deverá regressar ao normal após a eliminação do excesso da oferta no seu mercado interno. Oystein Berentsen, diretor-geral da Strong Petroleum, prediz que, quando os preços baixarem, o país regressará ao volume normal de comprar, apoiando-se na autorização dada pelo Governo chinês para a abertura de 19 novas refinarias independentes.

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