Malparado: venda de carteiras de crédito em Portugal deve acelerar este ano

Em junho de 2017, o stock de crédito malparado era de 42,2 mil milhões de euros, menos 16,5% face aos 50,5 mil milhões de euros registados um ano antes.

A transação de carteiras de Non-Performing Loans (NPLs na sigla inglesa) em Portugal deverá voltar a acelerar este ano, atingindo um novo máximo, conclui a Prime Yield no boletim de research que atualiza o estudo Investing in NPL in Portugal: The Time is Now!.

De acordo com as estimativas da empresa, em 2017 terão sido transacionados portefólios NPLs – também chamado de crédito malparado – num valor superior a 2 mil milhões de euros, estimando-se no update de Primavera que este valor aumente em pelo menos 20% este ano. O estudo analisa o mercado de NPL em Portugal e o seu potencial de transações, incluindo ainda uma perspetiva sobre a economia e setor imobiliário.

“Foram dados passos muito relevantes na redução do stock de NPLs no sistema bancário português no último ano, o que aliás é um fator reconhecido pelas autoridades europeias. Mas Portugal continua sob muita pressão, já que se mantém entre os países da União Europeia onde o rácio de malparado face ao total dos empréstimos é mais elevado”, comenta Nelson Rêgo, CEO da Prime Yield.

“O pipeline de carteiras de NPLs para transacionar continua a ser bastante expressivo dada esta pressão, e foram várias as instituições bancárias que já anunciaram a sua intenção de reforçar a venda de portefólios deste tipo de créditos este ano. Isso, associado à melhoria das condições económicas, que permitem ter muito boas perspetivas para a recuperação de créditos, vai com certeza aguçar ainda mais o apetite dos investidores por este tipo de carteiras, e especialmente dos créditos que tenham imóveis como garantia. A questão principal continua a ser o desencontro entre as expetativas dos vendedores e investidores”, acrescenta.

De acordo com o Spring Udpate do estudo da Prime Yield, citando dados do Banco de Portugal, o stock de NPLs em Portugal em Junho de 2017 ascendia a 42,2 mil milhões de euros, depois de ter recuado cerca de 16,5% face aos 50,5 mil milhões de euros registados um ano antes. O rácio de NPL no país decresceu nesse período de 17,9% para 15,5%, mas mantém-se ainda assim como o terceiro mais elevado da União Europeia, sendo apenas superado pelos casos da Grécia e Chipre, e ficando mais de três vezes acima da média Europeia (rácio de 4,6%).

A Prime Yield apresentou a atualização do estudo durante a maior conferência europeia de NPL, a “NPL Europe – Spring Conference 2018”, que decorre ontem e hoje em Londres, onde participou num debate sobre o mercado português, representado pelo seu CEO.

O research integra a nova área de negócio NPL&REO Services da Prime Yield, no âmbito da qual a empresa criou também plataformas online exclusivas para Portugal e para o Brasil, com informação atualizada sobre os mercados de NPLs nestes países.

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