Manuela Veloso sobre o medo do avanço tecnológico: “As pessoas são inteligentes para se redefinirem”

Manuela Veloso, referência mundial na área da Inteligência Artificial, explicou em exclusivo ao Jornal Económico como a revolução tecnológica vai mudar a vida e o trabalho das pessoas.

Manuela Veloso é professora na Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, e é uma das oradoras do colóquio “Combater os Medos”, que se realiza esta segunda-feira e terça na Fundação Gulbenkian. Em declarações exclusivas ao Jornal Económico, a professora considera que no presente “há pouca Inteligência Artificial”.

“No futuro haverá uma integração dos diferentes dados e a IA [inteligência artificial] será capaz de integrar essa informação e personalizar a aprendizagem”, diz. E dá um exemplo: “Uma pessoa tem de ir a Paris a uma conferência, mas vai haver uma maneira de saber se ela gosta mais de museus, de entrar em lojas ou de passear de bicicleta”.

Sobre o facto de a Inteligência Artificial pode vir a roubar empregos no futuro, Manuela Veloso considera que tal como a revolução Industrial e a revolução agrícola “tiraram trabalho”, também a revolução tecnológica irá fazer o mesmo. “Não houve medo da invenção da roda, nem do fogo. As pessoas são suficientemente inteligentes para se redefinirem”.

Sobre o futuro do mercado de trabalho, a professora não tem dúvidas: cada empresa deve ter 20% de colaboradores a fazer “computer science”. “Não se pode conceber um negócio em que a computação não esteja envolvida, a privacidade, a criptografia, a eficiência e a robustez”, acrescenta. Desta forma, também o mercado laboral “vai tornar-se uma economia de talentos”. “Imagine que falo francês, sei jogar ‘squash’ e cozinhar. A internet e a computação vão tornar todos estes talentos disponíveis para alguém que precise”, conclui.

Relacionadas

A luta contra os medos da sociedade em discussão na Gulbenkian

O terrorismo, a Inteligência Artificial, as alterações climáticas e os refugiados – são os receios que vão ser discutidos no colóquio “Combater os medos”, O evento, do qual o Jornal Económico é media partner, decorre segunda e terça feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

“O uso da inteligência artificial poderá beneficiar a sociedade”

Manuela Veloso, head of The Machine Learning Department @ Carnegie Mellon University e co-fundadora da RoboCup, explicou ao Jornal Económico a importância da interação entre o ser humano e a inteligência artificial e os benefícios práticos que trará, por exemplo, em áreas como a saúde.
Recomendadas

Como a Indústria 4.0 pode ajudar a criar a fábrica do futuro

A fábrica do futuro é o centro de uma cadeia de distribuição que combina clientes, fornecedores, distribuidores e parceiros com sistemas analíticos avançados. Isso pode levar a uma “produção perfeita” com o mínimo de tempo de inatividade, negligência, desperdício e ineficiência.

Sustentabilidade no investimento: menos risco, mais valor

Reduzir a quantidade de plásticos descartáveis ou viajar de comboio são duas formas de reduzir a nossa pegada ecológica. E no investimento, o que podemos fazer para reforçar a sustentabilidade?
Comentários