Marcelo considera uma ilusão pensar que se podem dispensar as instituições sociais

Para Marcelo, “não basta ir mais longe na descentralização, ir mais longe naquilo que são medidas para ultrapassar essas desigualdades, não basta sequer apoiar iniciativas ou movimentos de defesa do chamado interior ou dos chamados interiores, é preciso mais do que isso”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou, na noite de sexta-feira, que é uma ilusão qualquer responsável político pensar que se podem dispensar instituições como as misericórdias e outras de solidariedade social.

O chefe de Estado falava na cerimónia das comemorações dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança (SCMB), sublinhando o papel na história de Portugal das misericórdias e, mais recentemente, das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

“É preciso conhecer essa história para compreender quão precária é a ilusão de se poder dispensar instituições, que são seculares, que têm passado, mas têm também presente e futuro. E, algumas vezes, a falta de conhecimento histórico de um ou outro responsável levou a que se concebesse a sociedade portuguesa sem conhecer a história das misericórdias”, afirmou.

O Presidente defendeu que “a vida e a história do país não seria a mesma sem esta instituição” e, dirigindo-se aos dirigentes e àqueles que nela trabalham afirmou: “todos os dias, o vosso labor está a contribuir para a construção, não apenas de uma realidade concelhia ou regional, mas nacional”.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o papel das misericórdias e das IPSS nos tempos de crise e questionou: “se não tivessem existido as instituições da chamada economia social quais teriam sido as consequências?”.

Explicar o papel das misericórdias e das IPSS é uma das lutas que o chefe de Estado entende necessária travar associada outra, que é conseguir que os vários “portugais” sejam menos diferentes entre si”.

O Presidente da República falou das desigualdades no país, com a imagem de que “a distância de Bragança a Lisboa é maior que a distância de Lisboa a Bragança”.

“Essa diferença já foi maior, mas ainda é demasiado grande para um país que se quer um só Portugal e não um Portugal feito de vários “portugais”, a várias velocidades”, insistiu.

Para Marcelo, “não basta ir mais longe na descentralização, ir mais longe naquilo que são medidas para ultrapassar essas desigualdades, não basta sequer apoiar iniciativas ou movimentos de defesa do chamado interior ou dos chamados interiores, é preciso mais do que isso”.

É preciso, exortou o Presidente, “que a sociedade portuguesa e, em particular, o chamado Portugal metropolitano, assuma essa realidade como sua, compreenda que ela existe e que é sua responsabilidade também”.

“Porque não basta estar atento, compreender e emocionar-se um dia ou uma semana, ou um mês, ou seis messe, um ano. É preciso estar-se atento e solidário toda uma vida e, por isso, não é demais repetir que Portugal não está apenas onde estão os holofotes mediáticos, não está apenas onde se encontra a aparente centralidade de quem pode na política, na economia, na sociedade, no mundo mediático”, continuou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “as misericórdias cumprem aí uma missão fundamental”, assim como as IPSS, contribuindo, na rede que estabelecem, “para esta sensibilidade nacional”.

O Presidente da República prossegue hoje a visita a Bragança para participar nas comemorações dos dez anos do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, inaugurar o Centro de Acolhimento Empresarial das Cantarias e regressar à Misericórdia para uma passagem por algumas das respostas sociais.

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