Marques Mendes: “Portugal cresce 2%, mas a Irlanda cresce 5,7%. Faltam reformas estruturais”

Sobre o setor da saúde, Marques Mendes considera ser o calcanhar de Aquiles do Governo, e realçou que já há 2,5 milhões de seguros de saúde “o que significa que as pessoas acreditam cada vez menos no Serviço Nacional de Saúde”.

Luís Marques Mendes, no seu habitual comentário aos domingos na SIC, fez o balanço do Estado da Nação, cujo debate decorreu durante a semana.

“O Estado da Nação tem seis aspetos positivos:  A boa imagem externa do país (que se vê pela eleição de António Guterres, António Vitorino e Mário Centenos para altos cargos internacionais); o crescimento económico acima de 2%; baixo desemprego; défice próximo de zero; crescimento do turismo e das exportações que continua apesar de alguns sinais de desaceleração e a melhoria do estado da banca, ainda que com algum problema de rentabilidade”, disse.

Quanto aos aspetos negativos, na óptica de Marques Mendes, são: “uma dívida pública muito alta, o que é a prazo uma bomba relógio; depois há 20 países europeus que crescem mais do que Portugal; uma carga fiscal excessiva; o Estado da saúde que é o grande calcanhar de Aquiles do Governo; e finalmente a ausência de reformas, isto é de medidas de fundo”.

Sobre o setor da saúde, Marques Mendes realçou que já há 2,5 milhões de seguros de saúde “o que significa que as pessoas acreditam cada vez menos no Serviço Nacional de Saúde”.

Sobre o crescimento económico, e comparando com países que saíram de resgates como Portugal, como é o caso da Irlanda, o crescimento português é fraco, pois crescemos cerca de 2% e a Irlanda cresce 5,7%, “quase o dobro”.

Isto significa que “são precisas políticas estruturais e reformas de fundo” (na segurança social, na demografia, na competitividade) para a sustentabilidade do crescimento económico. “Não chegam as reversões e a distribuição de rendimentos. É preciso ir mais longe”, rematou.

O comentador citou as declarações de Augusto Santos Silva em entrevista, que considerou corretas. Recorde-se que o número dois do Governo em entrevista ao Público e Rádio Renascença, disse que os compromissos que fundamentam o acordo de 2015 entre PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV “estão esgotados porque foram cumpridos”. Isso significa que, no pós-eleições de 2019, “eventuais entendimentos terão de passar por um acordo que signifique um avanço no que diz respeito a políticas estruturais em áreas como o ambiente, território, transição energética, política económica, política externa e europeia”.

Marques Mendes elogiou estas declarações pois concorda que “não é possível continuar a governar só com reversões e distribuição de rendimentos. É óbvio”, disse.

O Jornal Sol trazia que Augusto Santos Silva deverá ser o cabeça de lista do PS nas eleições europeias.

O comentador revelou ainda que o Orçamento de 2019 vai ser aprovado pela geringonça. “Mas não vamos ter nenhuma geringonça depois de 2019 porque PS, BE e PCP não se entendem nas questões de fundo”.

Marques Mendes disse ainda que a sondagem da SIC/Expresso “para o PS é perfeita. Feita de encomenda não sairia melhor. Dá-o à beira da maioria absoluta em vésperas de aprovação do Orçamento”.

O comentador realça que a sondagem é má para o PSD (27%) porque fica abaixo da percentagem obtida por Passos Coelho em dezembro (28%), numa altura em que o PS tinha 40% e agora surge com 42%.

“Até ao momento, a estratégia de Rui Rio não está a resultar”, disse.

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