Matemática e IA juntas na otimização de rotas

A penar nas necessidades da distribuição, a tecnológica portuguesa Wide Scope, criou o ‘Routyn” – um sistema de otimização de rotas de veículos.

Ao contactar com empresas do setor da distribuição e da logística a Wide Scope verificou que o planeamento das rotas era um processo muito manual, “geralmente delegado numa ou duas pessoas que conheciam muito bem as regras que condicionam todo o transporte na região específica onde distribuem”, recorda Filipe Carvalho, CEO e cofundador da tecnológica 100% portuguesa.

Outras das constatações foi a de que as soluções existentes no mercado, todas internacionais, não cumpriam o principal propósito da sua aquisição: o planeamento automático e a otimizado das rotas. Apesar de “apregoarem esta capacidade”, na realidade, “os planeadores continuavam a fazer tudo manualmente, porque as soluções simplesmente não permitiam que se especificassem todas as regras, variantes e condições que os planeadores sabem”, frisa Filipe Carvalho.

Sendo a Wide Scope uma empresa de matemática e Inteligência Artificial (IA), reunindo por isso competência para conceber um sistema que fosse capaz de lidar com toda essa complexidade “e que fosse capaz de aprender com as melhores práticas dos planeadores”, sublinha ainda o responsável, viria então, em 2003, a criar o “Routyn”, o sistema de planeamento e otimização de rotas que tem hoje implementado em clientes da Colômbia à Austrália passando pela Turquia, Malásia, Singapura, Chipre, Inglaterra, Angola, Espanha, entre outras geografias.

A abordagem que a empresa faz ao setor da distribuição centra-se na questão da operacionalidade da cadeia de abastecimento (‘supply-chain’). Em particular para este setor, decompõem a maturidade da supply-chain em cinco níveis. Cada empresa enquadra-se no seu próprio estágio de maturidade e pelos níveis seguintes, a Wide Scope afere as necessidades e os desafios que se colocam à sua evolução.

Para Filipe Carvalho, numa perspetiva internacional “o setor está entre dois níveis (o quarto e o quinto da nossa escala). No topo está a ‘demand-driven supply-chain network’ que consiste na adaptação de toda a cadeia de abastecimento, incluindo fornecedores, em função de uma procura dinâmica e variável dos clientes.

Mas verificamos que as empresas estão ainda num nível anterior de maturidade que se refere à visibilidade e colaboratividade dentro da cadeia entre os seus vários intervenientes, incluindo fornecedores e clientes.

Por outro lado, numa perspetiva nacional, o setor encontra-se “uns passos atrás”, procurando ainda encontrar uma automatização de processos (nomeadamente no que diz respeito ao planeamento de rotas) e também à sua uniformização ao longo de toda a operação. “É frequente encontrarmos empresas que têm vários centros logísticos onde em cada um se trabalha de forma própria e manual. A transição ainda está a ocorrer para o automático, uniforme e otimizado”, conclui.

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