Mercadona e Science4You negoceiam terrenos no MARL

A cadeia gigante do retalho em Espanha e a empresa portuguesa de brinquedos científicos querem expandir as atividades em Loures.

Cristina Bernardo

A SIMAB – Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores   está em negociações com a cadeia de distribuição espanhola Mercadona e com a empresa nacional Science4you, fabricante de jogos, brinquedos e gadgets para crianças e adolescentes, com o objetivo de estas duas empresas localizarem as suas futuras instalações nos terrenos do MARL – Mercado Abastecedor Regional de Lisboa, nos arredores de Loures.

Em declarações exclusivas ao Jornal Económico, Rui Paulo Figueiredo, presidente da SIMAB, revela que a Science4you pretende expandir a sua atividade. “Existe uma possibilidade de a sua nova fábrica poder ser aqui, nas instalações do MARL”, diz.

“Estamos em negociações nesse sentido. Esperamos que haja um desfecho muito rápido e que a decisão final seja tomada já em 2017”, prevê.

O mesmo responsável acrescenta que, quer em relação à Science4you, como em relação a outros potenciais clientes, “queremos ser facilitadores da atividade das empresas enquanto entidade pública”.

“Claro que isso também é bom para os nossos resultados, mas é principalmente bom para a economia nacional”, justifica o presidente da SIMAB (ver texto ao lado).

Outra empresa em negociações com o presidente do MARL é o gigante do retalho espanhol Mercadona. Este grupo anunciou, a meados deste ano, que iria entrar no mercado nacional da grande distribuição em 2019. As primeiras revelações apontavam para um número restrito de lojas, em princípio na região metropolitana do Porto, estando previstos 200 novos postos de trabalho. No entanto, informações posteriores apontam para o recrutamento de 120 quadros para cargos diretivos, o que pressupõe uma escala maior para este investimento da Mercadona em Portugal, inicialmente estimado em 25 milhões de euros.

“A Mercadona abordou-nos para conhecer o que o SIMAB e os operadores do setor em Portugal”, conta Rui Paulo Figueiredo, adiantando que a empresa espanhola está “a delinear a sua rede de compras, não só para a sua operação em Portugal, mas para o grosso do grupo em Espanha”. No entanto, sobre este processo, ainda não existe qualquer previsão quanto ao seu desfecho ou ao seu provável calendário.

A SIMAB, empresa detida a 100% pela holding estatal Parpública, gere o MARL, mas também os mercados abastecedores de cidades como Faro, Évora ou Braga. A empresa foi criada para dinamizar a construção dos mercados abastecedores, numa base de produtos agro-alimentares, mas agora esses mercados têm uma maior diversificação, além de ter vindo a alienar ao longo do tempo participações em vários setores considerados não estratégicos.

“O atual Governo abandonou o objetivo da privatização da SIMAB, que era uma meta do Governo anterior. Reposicionou a actividade da holding e das participadas, para fomentar a criação de plataformas logísticas modernas e consolidadas. A maioria dos produtos continua a ser de base agro-alimentar, mas também estamos concentrados na logística, nas ‘start ups’ e nos leilões de gado e de carros, por exemplo”, esclarece Rui Paulo Figueiredo.

Neste momento, a SIMAB tem firmados contratos com mais de 1.500 empresas, desde contratos ao dia até contratos até 75 anos de duração.

“Temos cada vez mais relações com as cadeias exportadoras e que trabalham para cadeias internacionais de cruzeiros, que exportam para África, América Latina ou Estados Unidos. Estamos a desenvolver contactos crescentes com agências internacionais de investimento de países como a China, Colômbia, ou Chile, com câmaras de comércio e indústria e com grandes grupos de distribuição, como a Jerónimo Martins, Lidl, Aldi, Mercadona ou Unicer, por exemplo”, revela o presidente da SIMAB, apontando alguns dos possíveis caminhos de crescimento da empresa e o reforço destes segmentos de atividade.

Apostar nos mercados municipais

“Estamos cada vez mais apostados na logística, nos transportes e nos serviços associados. Estamos a tentar reposicionar a actividade da SIMAB, que tinha sido abandonada nos últimos anos”, assegura Rui Paulo Figueiredo.

Outro dos caminhos possíveis de crescimento para a SIMAB passa pela criação de outros mercados abastecedores e de mercados municipais.

“Estamos a apostar na requalificação dos mercados municipais e abastecedores. Queremos reposicionar-nos nesses segmentos de actividade e temos óptimas condições para isso”, defende Rui Paulo Figueiredo.

No entender deste responsável, este novo desafio não passa apenas por desenvolver o projeto de arquitectura e as obras. “É necessário ter uma visão transversal, naturalmente global, que exige a formação de colaboradores, contactos com os operadores, o estudo da envolvente urbana e comercial, aspectos que têm de estar integrados com operações de regeneração urbana”. E é também necessário perceber por que é que “as pessoas não vão comprar a certos locais”.

“Posicionamo-nos nos vários estádios da prestação de serviços, desde a construção, ‘branding’, colocação das redes de frio, gás ou electricidade, para garantir a sustentabilidade ambiental, fiscalização da obra, estudos de arquitectura, angariação de operadores e diversificação de clientes. Estamos também aptos a fazer as ligações com a produção, com o setor agrícola, com os produtores regionais. Estudamos oportunidades de negócio, ajudamos os municípios no apoio à gestão, iremos angariar potenciais interessados na gestão de todas as vertentes do projeto”, garante Rui Paulo Figueiredo.

O presidente da SIMAB entende que a empresa não pode ficar limitado à obra pública. ”Para não termos problemas de maior ao fim de dois ou três anos”, justifica.

Neste novo sentido de atuação, a SIMAB tem sido abordada para participar na criação de cerca de duas dezenas de mercados abastecedores e municipais: no primeiro caso, nas regiões de Setúbal, Aveiro e Santarém; no segundo de Norte a Sul do País, no Algarve, Alentejo e nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

Segundo Rui Paulo Figueiredo, em 2017, os mercados municipais podem ter um significativo avanço e poderão também avançar estudos mais aprofundados nos mercados abastecedores em 2017.

“A SIMAB poderá vir a ter uma participação accionista nesses mercados. Estamos abertos a estudar qualquer solução dentro dos objectivos económicos traçados para a nossa atividade. A nossa colaboração pode ser pela participação accionista, mas também por angariar parceiros, dar apoio à gestão, desenvolver parcerias com entidades especializadas para certos segmentos, parceiros de excelência que nos ajudem na prestação do serviço”, sublinha.

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