Merkel diz que relação de investimento com a China tem de ser recíproca

A chanceler alemã está em Portugal para uma visita de dois dias. Na reunião desta quinta-feira com o primeiro-ministro português em Lisboa, a OPA da China Three Gorges à EDP não foi um tema.

Angela Merkel e António Costa não falaram sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela empresa estatal chinesa China Three Gorges (CTG) à EDP, no encontro esta quinta-feira, em Lisboa. A chanceler alemã afirmou, no entanto, que a relação de investimento tem de ser recíproca para que seja benéfica tanto para o gigante asiático como para a União Europeia.

“A China tem interesse no comércio na Europa”, disse Merkel em conferência de imprensa, após o encontro. “É importante haver reciprocidade. Se a China se mostra abertura, também nós podemos fazê-lo. É uma situação win-win“, afirmou, sublinhando que a Alemanha tem uma relação económica estreita com a China.

A estatal chinesa China Three Gorges lançou a 11 de maio o anúncio preliminar de uma OPA sobre a totalidade do capital da EDP, cujo prospeto deverá ser entregue na CMVM esta sexta-feira. No mesmo dia, Costa referiu que o governo não tem de se opor à oferta. O líder do Executivo reafirmou essa posição, esta quinta-feira.

“Relativamente à OPA, não foi objeto de conversações entre nós, porque o Estado português não tem de se pronunciar”, respondeu Costa, depois de ter sido questionado sobre o tema.

A abertura portuguesa ao investimento chinês tem contrastado com as posições de alguns parceiros europeus.

Numa visita a Pequim na semana passada, Angela Merkel alertou que a China arrisca ter de enfrentar “constrangimentos” no investimento na Europa caso não aumento o acesso ao mercado doméstico. Na oferta da CTG, a empresa chinesa refere que o sucesso da investida depende da aprovação regulatória em vários países europeus.

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