Merkel e Costa vêem margem para melhorar orçamento europeu pós-Brexit

A chanceler alemã concordou que “a saída do Reino Unido é um enorme desafio”, dizendo que “enquanto UE, temos de enfrentar esses desafios e com boa vontade seremos bem sucedidos”.

A chanceler alemã e o primeiro-ministro português sinalizaram o momento crucial e de desafio que a União Europeia vive devido ao Brexit. Num encontro esta quinta-feira em Lisboa, os dois governantes mostraram ter perspetivas semelhantes e de otimismo em relação à definição do orçamento europeu plurianual para o período 2021-2027.

“A Europa vive um momento crucial, com o um Conselho Europeu muito importante onde temos de tomar decisões sobre o futuro do quadro financeiro, sobre o futuro da migrações, a reforma de zona euro. É importante que os líderes europeus intensifiquem os contactos e procurem compreender o ponto de vista de cada um”, afirmou António Costa.

No início do mês, a Comissão Europeia propôs um orçamento europeu de 1,279 biliões de euros, equivalente a 1,11% do rendimento nacional bruto da UE a 27 (já sem o Reino Unido).

Uma das principais questões em debate é a reorganização das contribuições dos países após o Brexit, o que deverá implicar aumentos por parte de países como Alemanha, França e Itália. Por outro lado, está também a ser alvo de crítica a proposta de cortes que podem atingir os 7% na Política de Coesão e os 5% na Política Agrícola Comum.

“Quanto à proposta da Comissão, registámos os progressos em relação ao mau ponto de partida com que começámos. Há margem para melhorar as propostas. A Europa tem de ter um orçamento à medida da sua ambição”, disse, referindo temas como a defesa. “Estas novas ambições exigem recursos. A saída do Reino Unido exige a contribuição de todos e a Alemanha foi dos primeiros países a oferecer-se para aumentar as contribuições”.

Merkel concordou que “a saída do Reino Unido é um enorme desafio”, dizendo que “enquanto UE, temos de enfrentar esses desafios e com boa vontade seremos bem sucedidos”.

Para isso é necessário reforçar a convergência europeia, na perspetiva da chanceler alemã, correndo o bloco o risco de regredir nos passos dados até aqui. “Temos interesse na convergência, caso contrário, os benefícios da UE são postos à prova”, disse.

Os dois governantes sublinharam também as boas relações entre os países. “As nossas relações bilaterais são muito estreitas, com todas as nuances de diferença, mas o nosso compromisso da Europa une-nos”, afirmou Merkel. Costa acrescentou ainda que “Portugal e a Alemanha têm sido dos países que mais concordam no futuro da Europa”.

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