Mesmo com arranque lento do ano, PSI 20 consegue bater restantes bolsas

O índice de referência nacional subiu 0,35% no primeiro trimestre de 2018, bastante abaixo dos 7% que conseguiu em igual período do ano passado. Ainda assim, a energia ajudou o PSI 20 a ter uma performance melhor que a generalidade das bolsas globais. Os CTT e a NOS foram as desilusões.

Reuters

A Bolsa de Lisboa teve um primeiro trimestre pouco entusiasmante e consideravelmente menos otimista que no período homólogo. Ainda assim, o PSI 20 teve uma performance melhor que a generalidade das bolsas mundiais, num período que ficou marcado pelo mini-crash em Wall Street e pela guerra comercial lançada Donald Trump.

“O PSI 20 fecha o trimestre como um dos índices com melhor desempenho a nível mundial, sendo que, na Europa, foi superado apenas pelo índice italiano e pelo índice russo”, explicou Steven Santos, gestor do BiG – Banco de Investimento Global.

A contribuir para o bom desempenho relativo e absoluto do índice estiveram as condições económicas favoráveis e ainda a melhoria do rating da República nos últimos meses do ano passado. “De forma notável, o PSI 20 ultrapassou diversos índices de referência, como o DAX 30, o Eurostoxx 50 e o S&P 500”, refere.

A valorização do PSI 20 foi de apenas 0,35%, mas contrasta com as desvalorizações de 1,67% do índice norte-americano S&P 500, de 6,35% do alemão DAX, de 4,43% do espanhol IBEX 35, de 2,73% do francês CAC 40, de 7,05% do japonês Nikkei 225 ou de 8,21% do britânico FTSE 100.

João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa concorda que “em termos globais, o  comportamento do PSI 20 nem foi dos piores”, mas sublinha que “o primeiro trimestre deste ano foi muito diferente do igual trimestre do ano passado”. Em 2017, o principal índice do mercado nacional arrancou o ano com um ganho de 7%.

“Os eventos que tiveram maior impacto nos mercados foram o aumento das tarifas às importações pelos EUA, as tensões da Coreia do Norte, a correção das tecnológicas e a primeira subida de taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana. O acordo entre a União Europeia e o Reino Unido para um soft Brexit e a subidas das cotações das mercadorias também deixaram a sua marca”, explicou.

Energia impulsiona e CTT desiludem

A energia é o setor destacado pelos analistas como o que mais beneficiou este trimestre, com especial destaque para a Galp. O gestor do BiG sublinha que a petrolífera, que é atualmente a cotada com mais peso no índice nacional, foi suportada pela subida do preço do petróleo, ainda que tenha terminado o trimestre em terreno ligeiramente negativo (-1,14%).

“A recuperação do setor da energia [com a EDP a subir 3,81%, a EDP Renováveis 13,46% e REN 7,09%] foi a maior revelação do trimestre e não foi apenas em Portugal, o setor recuperou em toda a Europa”, afirmou Queiroz, acrescentando que pertence a EDP foi também o título que mais mudou de mãos, enquanto a REN foi a cotada com maior estabilidade.

Entre os pesos-pesados do índice, destacou-se ainda a valorização de 3,85% da Altri. O BCP arrancou janeiro com ganhos expressivos, mas acabou por desacelerar e fechou o trimestre com uma perda de 1,21%.

Ambos concordam que a maior deceção foi a do comportamento dos CTT, com a depreciação do negócio postal e com a equipa de gestão. A empresa liderada por Francisco Lacerda não conseguiu gerar resultados, mas pretende, ainda assim, distribuir dividendos elevados pelos acionistas. A decisão levou a uma queda de 12% das ações desde o início do ano.

Ainda assim, o maior tombo foi o da NOS, que já desvalorizou 13,34% desde o início do ano, “em linha com a pressão vendedora no sector europeu de telecomunicações”, segundo Santos.

O trimestre ficou ainda marcado pela revisão da Euronext Lisbon ao PSI 20, que determinou o regresso da Novabase ao PSI Geral e puxou a F. Ramada para o índice de referência. Queiroz refere que em número de empresas, continua um “índice ‘coxo’ com apenas 18”, sublinhando que as mudanças não alteraram “nada de substancial” na Euronext Lisbon.

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