Miguel Maya: história da ascensão do sexto presidente do BCP

É um banqueiro que vem da área do retalho. Antes de ser proposto para administrador por Pinhal, era o responsável pela Direção de Inovação e Desenvolvimento do produto. Filipe Pinhal, que foi o primeiro que lhe reconheceu o mérito, diz sobre Miguel Maya: “É muito rigoroso e faria bem qualquer função”.

Miguel Maya chega a presidente do Banco Comercial Português (BCP) 11 anos depois de ter sido proposto para administrador por Filipe Pinhal, numa famosa lista que acabou por não chegar a bom porto, pois a 21 de dezembro de 2007 – uma sexta-feira -, numa reunião que teve lugar no Banco de Portugal, entre Vítor Constâncio (então governador) e oito acionistas de referência da instituição financeira, decide-se futuro do banco: Pinhal sai e entra Carlos Santos Ferreira.

Na altura, foi a denúncia de Joe Berardo da existência de 17 offshores que tinham ações do banco e não só, financiadas com crédito do próprio BCP, e que tinham começado sem beneficial owner e, mais tarde, já com perdas, sido convertidas em operações de imobiliário, que ditou a decisão de Constâncio. Com o patrocínio da EDP, que reúne nas suas instalações os maiores acionistas do BCP, é escolhido para presidente Carlos Santos Ferreira.

Santos Ferreira chega ao BCP com uma lista de consenso: dois da sua confiança (Armando Vara e Vítor Fernandes); dois da lista de Filipe Pinhal (José João Guilherme e Paulo Macedo) e dois administradores que eram escolhas da fação rival (anti-Jardim Gonçalves) – na altura protagonizada por Francisdo Lacerda e António Castro Henriques – e que eram Luís Pereira Coutinho e Nelson Machado.

Na altura Miguel Maya fica de fora, pois, segundo explicou Carlos Santos Ferreira a Filipe Pinhal, só podia escolher dois e, por isso, excluiu o mais novo. Mas chama-o para seu chefe de gabinete. Mais tarde, já em 2009, é escolhido por Santos Ferreira para administrador, em substituição de Armando Vara já arguido no processo de corrupção “Face Oculta”.

Miguel Maya assume o pelouro da direção de empresas, banca de investimento e recuperação de crédito.

Miguel Maya é também um homem de confiança dos investidores angolanos (a Sonangol é o segundo maior acionista do BCP, com quase 20%), pois foi administrador do Banco Millennium Angola. Para além de ter sido administrador do Activo Bank.

O gestor que vai substituir Nuno Amado na presidência executiva do banco faz 54 anos em junho. E, desses, 28 foram passados no BCP.

Foi em 1990, depois de se formar em organização e gestão de empresas pelo ISCTE, que Miguel Maya entrou no Banco Português do Atlântico (BPA), com funções na área comercial, segmento de empresas e responsável pela coordenação do gabinete central de análise económica e financeira. Um banco que acabou depois por ser absorvido pelo BCP. “Miguel Maya veio com a mobília para o BCP”, diz uma fonte da fundação do BCP.

É um banqueiro que vem da área do retalho. Antes de ser proposto para administrador por Pinhal, era o responsável pela Direção de Inovação e Desenvolvimento do produto. Filipe Pinhal, que foi o primeiro que lhe reconheceu o mérito, diz sobre Miguel Maya: “É muito rigoroso e faria bem qualquer função”.

É o sexto banqueiro do BCP, depois de Jorge Jardim Gonçalves, Paulo Teixeira Pinto, Filipe Pinhal, Carlos Santos Ferreira, e Nuno Amado.

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