“Ministra é a principal culpada. Tem que se demitir”: ANS culpa MAI por falta de coordenação

Presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS) da GNR diz que o ministério da Administração Interna tem desvalorizado as chamadas de atenção para a “necessidade de reorganização do dispositivo territorial”. Associação Nacional Autónoma de Guardas da GNR (ANAG) também aponta a falta de coordenação.

HO/Reuters

 

O Presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS) da GNR , José Lopes, diz que “a senhora ministra é a principal culpada e portanto tem que se demitir” pelo que considera ter sido a falta de coordenação na resposta ao incêndio de Pedrógão Grande, em declarações ao Jornal Económico.

Para José Lopes “se a forças no terreno não conseguiram ser coordenadas há um responsável por isso: o ministério da Administração Interna (MAI) e que é encabeçado pela ministra”, que considera não ter “empatia com a guarda”.

A ANS refuta qualquer argumento de responsabilidade por “falta de coordenação no terreno”, diz, acrescentando que a tragédia “chocou todos, nomeadamente os que estiveram no terreno e fizeram todos os esforços”. Aponta ainda como fragilidade a nomeação de coordenadores da Proteção Civil “apenas” em maio, o que agudiza “o atrofiamento em que cada um continua sem saber o que tem que fazer”.

O Presidente da Associação Nacional Autónoma de Guardas da GNR (ANAG), Virgílio Ministro, partilha as preocupações sobre “a falta de coordenação”. “Nós não estamos preparados porque não há coordenação. A GNR, os Bombeiros, a PSP, vestem a camisola mas depois o SIRESP não corresponde como deveria corresponder e não há a coordenação que deveria haver”, frisa em declarações ao Jornal Económico.

Virgílio Ministro considera “inadmissível duas estações [móveis] estarem avariadas” e que a ANG recebe diversas queixas sobre o não funcionamento dos equipamentos quando necessários.

Durante o incêndio em Pedrógão Grande, as duas estações móveis do SIRESP estavam fora de utilização. Uma delas, atribuídas à PSP estava numa oficina em revisão e a outra atribuída à GNR, avariada desde a visita do Papa a Fátima, em Espanha em reparação. José Lopes indica que a GNR terá pedido diversas vezes à SGAI a reparação urgente da carrinha após a vista papal, o que só aconteceu no início de Junho.

José Lopes alerta para a necessidade de redundância ou sistema de backup quando o funcionamento de uma atena falha. Realça que o SIRESP advoga que não deixou de funcionar porque nunca ardeu a antena. Contudo, defende que isso não significa que o sistema não tenha estado em baixo. A estação base só conseguia, assim, comunicar com a área abrangida por essa estação, impedindo as comunicações com as restantes estações, o que é uma falha grave. “Não podemos branquear o que aconteceu. Há responsabilidades”, diz.

Ainda que o relatório da Secretaria Geral da Administração Interna (SGAI) sobre o incêndio e o funcionamento da rede SIRESP sublinhe que “era impossível ter a EM em Pedrógão Grande a tempo de ajudar a minorar as ocorrências que resultaram em mortes”.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, pediu a realização de um estudo independente sobre o funcionamento do SIRESP em geral, e em situações de acidente grave ou catástrofe em particular, ao Instituto de Telecomunicações e a uma auditoria à SGAD pela Inspecção Geral da Administração Interna.

José Lopes diz que a tutela tem “desvalorizado o seu conhecimento nas chamadas de atenção para a necessidade fundamental da reorganização do dispositivo territorial. Acontecimentos desta natureza são reveladoras da diferença entre ser um país pacífico ou um país seguro”.

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