Moody´s alerta para redução de “passivos bail-ináveis” do Novo Banco, apesar da emissão de dívida

Os bancos têm, por imposição regulatória, de reforçar os passivos bail-ináveis. Isto é, passivos que possam responder em primeira linha pela recapitalização do banco em caso de aplicação de medida de Resolução. A Moody´s a alerta para a redução desses passivos no Novo Banco, mesmo depois da emissão de 400 milhões de dívida subordinada.

Rafael Marchante/Reuters

A Moody’s Investors Service confirmou hoje os ratings de depósito de longo prazo do Novo Banco (Novo Banco) em Caa1 e alterou as perspectivas de positivo, para em desenvolvimento. Isto é, a agência de notação manteve o rating do Novo Banco em Caa1, mas retirou a perspectiva “positiva”.

A ação de rating foi desencadeada pela avaliação da Moody’s à estrutura de passivos do banco após o anúncio, em 29 de junho de 2018, do resultado da oferta pública de troca da dívida sénior do Novo Banco e da emissão de 400 milhões de dívida subordinada.

“A ação de rating também reflete o menor volume de depósitos subordinados do banco no final de março de 2018 (dados mais recentes disponíveis), o que resultou numa redução geral do stock de passivos bail-ináveis do Novo Banco, apesar da recente emissão de dívida subordinada no mercado”, diz a agência de rating.

A agência de rating também tomou as seguintes ações no Novo Banco: confirmou a avaliação do perfil de crédito individual do banco [Baseline Credit Assessment] em caa2; reafirmou os ratings de dívida sénior de longo prazo sem garantia de ativos reais  do banco em Caa2; confirmou a avaliação de risco de contraparte (Counterparty Risk Assessment) de longo prazo do banco em B2 (cr) – que avalia a probabilidade de default em várias obrigações seniores e em outros compromissos contratuais que são menos sujeitos a ser usados em caso de bail-in para recapitalizar o banco, ou em qualquer outra medida de resolução – e reafirma o Rating de Risco de Contraparte de longo prazo do banco em B2.

A perspectiva dos ratings de dívida sénior de longo prazo sem garantia de ativos permanece positiva.

Todos os ratings e avaliações de curto prazo do banco não são afetados pela ação de rating de hoje da Moody´s.

A perspectiva dos ratings de depósitos de longo prazo e a perspectiva positiva dos ratings de dívida sénior de longo prazo refletem a expectativa da Moody’s de uma melhoria gradual dos fundamentais de crédito do Novo Banco, que são hoje muito fracos, nos próximos 12 a 18 meses. Isto se o banco começar a cumprir as metas principais do seu plano de reestruturação, nomeadamente a redução de ativos problemáticos e o downsizing das suas operações, bem como uma melhoria sustentada da sua capacidade de geração de receitas que é hoje muito fraca.

Por outro lado, a perspectiva de evolução dos ratings de depósitos de longo prazo do Novo Banco também reflete o efeito adverso sobre esses ratings, caso haja uma redução adicional no stock de depósitos subordinados.

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