Moody’s: Novas tarifas norte-americanas às importações “são negativas” para a União Europeia

Os analistas da Moodsy’s consideram que o protecionismo do governo Trump é mau para as empresas europeias, mas pode ajudar à recuperação da indústria norte-americana.

Raheb Homavandi/Reuters

A imposição de um novo tarifário às importações de alguns materiais para o interior do mercado doméstico norte-americano continua a suscitar as maiores reservas, tanto dos analistas como dos empresários e outros agentes da economia. A agência Moody´s decidiu analisar a questão, e chegou a uma conclusão: quando uns perdem há sempre quem saia a ganhar.

Assim, segundo Gianmarco Migliavacca, vice presidente senior credit officer da Moody’s, “a imposição de uma tarifa nos Estados Unidos sobre as importações de aço na Europa, após a não renovação da isenção tarifária anterior da União Europeia, é negativa para a indústria siderúrgica europeia”.

Segundo aquele responsável, “a tarifa limitará o acesso dos produtores a um dos seus maiores mercados, num momento em que outros países também podem estar a procura de exportar mais aço para a Europa, dadas as tarifas aplicadas a outros países”. De facto, “já notamos um aumento das importações de aço na Europa nos primeiros meses de 2018”.

No entanto, assegura Migliavacca, “não achamos que a tarifa venha a ter um impacto imediato sobre as siderúrgicas europeias que avaliamos, porque elas geram a maior parte das suas receitas oriundas dos Estados Unidos em empresas similares norte-americanas, ao invés do que acontece com o aço, que exportam para aquele mercado”.

Para a indústria europeia como um todo, “o impacto pode ser limitado”, já que as exportações dos Estados Unidos representaram apenas 14% do total das exportações da União Europeia em 2016, “e os produtores europeus tendem a exportar mais produtos de alto valor agregado, que são menos sensíveis ao preço do que as commodities “.

Já para Michael Corelli, vice-presidente de crédito da Moody’s, “a imposição de uma tarifa de 25% sobre as importações de aço do Canadá, México e União Europeia será favorável para o setor siderúrgico dos Estados Unidos, já que esses países responderam por cerca de 40% das importações domésticas de aço em 2017”.

Importações reduzidas e/ou preços superiores do aço importado levarão a uma procura doméstica mais forte, ao aumento dos preços do aço doméstico e à maior geração de fluxo de caixa para os produtores de aço dos Estados Unidos no curto prazo”.

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“Os Estados Unidos não nos deixam agora outra escolha que não seja a de recorrer à resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio e à imposição de tarifas adicionais sobre diversas importações dos EUA”, disse Jean-Claude Juncker.
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