Morais Leitão, PLMJ e VdA lideram no mercado de fusões e aquisições

Escritórios de advogados e bancos de investimento ganham com ano de grande atividade nas fusões e aquisições. Tendência positiva mantém-se.

O programa de ajustamento económico e financeiro de Portugal, a cargo da troika formada pelo Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI), ficou concluído em 2014. Desde então, o mercado de fusões e aquisições (M&A) português cresceu 30%, recuperando da crise de confiança vivida  durante a crise, com os grandes negócios em áreas como o imobiliário e as tecnologias a roubarem o protagonismo às operações envolvendo empresas em dificuldades ou em reestruturação.

O ano passado arrancou logo com grandes negócios, sobretudo na banca: a compra do Novo Banco pelo Lone Star, a OPA da EDP à EDP Renováveis e a compra de 84,5% do BPI pelo CaixaBank. No conjunto de 2017, foi movimentado um total de 11,4 mil milhões de euros nas fusões e aquisições de empresas portuguesas, um valor que representa um aumento de 13,58% face ao ano anterior.

Segundo o anuário especializado Transactional Track Record (TTR), as sociedades de advogados mais ativas, por valor de operações assessoradas, foram a Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva (1,6 mil milhões de euros), a PLMJ (1,2 mil milhões de euros) e a Vieira de Almeida & Associados (mil milhões de euros). No ranking pelo número de operações apoiadas, a PLMJ lidera com 24 deals, seguida da Morais Leitão e da Garrigues, ex aequo, com 15 cada. Do top 10 constam ainda as firmas DLA Piper ABBC, Uría Menéndez – Proença de Carvalho, Cuatrecasas, Serra Lopes-Cortes Martins, Linklaters e RRP Advogados (ver tabela).

A recuperação económica, o crescente apetite por parte de investidores internacionais e as taxas de juro historicamente baixas fazem com que as expetativas sejam positivas também para 2018, tal como referem os advogados, consultores e banqueiros de investimento ouvidos pelo Jornal Económico, no Fórum que pode ser consultado nas páginas 8, 9, 10 e 11 deste Especial.

Ainda segundo o TTR, os dois primeiros meses de 2018 já assistiram a 47 transações de M&A em Portugal, no valor de 1,2 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 52,7% comparativamente a fevereiro do ano passado. Os advogados ouvidos pelo Jornal Económico destacam o interesse crescente por parte de fundos de pensões e de private equity. Ainda que sobretudo o setor imobiliário, devido ao boom turístico, e financeiro (banca e seguros) continuem a destacar-se como protagonistas de movimentos de consolidação, perspetivam-se várias operações nas áreas de infraestruturas, energia, tecnologia, telecomunicações e indústria.

Espanhóis e chineses são quem mais aposta em Portugal

Ao longo de 2017, os investidores estrangeiros que efetuaram mais transações em território português foram os espanhóis, que adquiriram 33 empresas portuguesas, num investimento de 965 milhões de euros. Já nos primeiros dois meses de 2018, os chineses lideram em termos de valor do investimento, com a anunciada compra  da Partex, petrolífera da Fundação Calouste Gulbenkian, pelo grupo chinês CEFC, numa operação avaliada em 500 milhões de euros. Outros estrangeiros que deverão continuar a marcar presença em Portugal serão os investidores britânicos e angolanos, entre outros.

Private Equity a todo o gás

Um dos principais destaques do mercado transacional português, no ano passado, foram as 43 operações realizadas por firmas de private equity. O TTR contabilizou o valor de 16 dessas operações, num total de 5,6 mil milhões de euros, o que, só por si, representa um aumento de 53% em relação ao ano precedente. Ao Jornal Económico, Duarte Schmidt Lino, sócio coordenador de Private Equity da PLMJ, frisou o “incremento brutal” neste segmento, com especial atenção nas PME, defendendo que “a crise financeira e bancária criou as primeiras equipas de private equity com experiência e abriu espaço para outros investidores onde a banca agora já não entra”.

“Acredito que Portugal vai continuar a crescer no turismo e a saúde pode gerar oportunidades, que se cruzam com o setor”, disse. Apesar de o ano ter arrancado mais calmo para o capital privado, contando-se duas transações em janeiro e três em fevereiro, sem valores revelados, Helena Vaz Pinto, sócia co-responsável de M&A e Corporate Finance da Vieira de Almeida, prevê novo dinamismo. “Antes de 2014 o investimento em private equity estava parado, era um deserto. Hoje essa questão não se coloca”, afirmou.

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