Mulher Maravilha e justiça social

Vivemos num tempo em estamos rodeados de Mulheres Maravilha, por estarmos a colher os frutos de um sistema de ensino inclusivo e igualitário, que permite a todas as mulheres não só sonhar como também preparar uma vida plena de significado.

Mas, rodeados de Mulheres Maravilha, não devemos partir do princípio que todas as mulheres são livres e independentes, sem precisar de mais proteção. A literatura feminista contemporânea tem, aliás, chamado a atenção para o mito desta Mulher Maravilha que tudo pode no mundo contemporâneo.

Muitas mulheres ainda hoje assumem em grande medida a função de cuidadoras das crianças ou dos parentes mais velhos. E não obstante o seu percurso académico acabam, nalguns casos, por força das circunstâncias, por prescindir de uma carreira profissional, colocando-se elas próprias numa situação de vulnerabilidade, pois é preciso que alguém cuide delas para que possam cuidar. Antes de prosseguir, noto que coloco a questão em relação às mulheres, (pela maior incidência de situações), mas as suas soluções são transversais e generalizáveis a todos que se encontrem nas mesmas condições de cuidadores.
Deixar a resolução desta vulnerabilidade no âmbito privado, implica ignorar as desigualdades que daí advém: quem sustenta acha-se credor de quem cuida; quem cuida coloca-se inteiramente nas mãos de outrem.

Por se colocarem nessa situação de vulnerabilidade, algumas dessas cuidadoras acabam por deixar de ser livres e autónomas. Facto que as pode, no limite, tornar o alvo fácil de abusos, exploração e violência.
Não obstante as imensas conquistas igualitárias dos últimos anos e a omnipresença de mulheres em todos os sectores da sociedade portuguesa, o Estado não tem uma ainda resposta social para o tema.

Em tempo de reflexão para o novo Orçamento do Estado, seria importante ponderar este aspecto ainda descurado da protecção das mulheres, de forma a que o cuidado para com os outros, deixe de ser assumido como um risco pessoal e seja de alguma forma recompensado socialmente. A inclusão e a igualdade verificadas desde a idade escolar apenas se manterá pela vida fora, caso o Estado assuma como dever de Justiça Social a retribuição ao importantíssimo serviço prestado pelas cuidadoras, que de outra forma permanecem desprotegidas, sem que se atenda minimamente às suas necessidades enquanto seres livres e autónomos. É verdade que esta solução implica algum gasto para o Estado, mas não é certo que este não possa ter retorno. Com efeito, este é um investimento que, com o tempo, pode até ser sinónimo de poupança. As cuidadoras são certamente causa de menos pressão nas creches, nos centros de dia, nos lares de terceira idade, podendo até mesmo ser fonte de poupança em apoios sociais.

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