Mutualista Montepio marca assembleia-geral para aprovar contas de 2017

A Associação Mutualista teve lucros de 587,5 milhões de euros em 2017, bem acima dos 7,4 milhões de euros em 2016, para o que contribuíram créditos fiscais.

Cristina Bernardo

A Associação Mutualista Montepio Geral marcou uma assembleia-geral extraordinária para 17 de julho para votar as contas referentes a 2017, ano em que os lucros beneficiaram de créditos fiscais.

Segundo a convocatória divulgada no ‘site’ da Associação Mutualista Montepio Geral na Internet, a reunião vai realizar-se na Ordem dos Contabilistas Certificados, em Lisboa, e deverá arrancar pelas 21:00 (hora de Lisboa).

A Associação Mutualista teve lucros de 587,5 milhões de euros em 2017, bem acima dos 7,4 milhões de euros em 2016, para o que contribuíram créditos fiscais.

Segundo o relatório e contas de 2017, antes do pagamento de impostos, acumulava prejuízos de 220,977 milhões de euros em 2017, mas passou a lucros com o impacto positivo de ativos por impostos diferidos de mais de 800 milhões de euros.

A possibilidade de a Mutualista beneficiar de créditos fiscais aconteceu depois de um “pedido de informação vinculativa” feito por esta ao Fisco acerca da sua situação fiscal, após o qual passou a ficar sujeita a IRC (o imposto aplicado sobre os lucros das empresas), segundo a própria Associação.

O facto de a Associação Mutualista Montepio Geral ter passado a pagar este imposto fez com que, por outro lado, possa beneficiar do impacto de ativos por impostos diferidos, neste caso no montante de 808,6 milhões de euros.

Em anos anteriores, o regime dos ativos por impostos diferidos permitiu a vários bancos que operam em Portugal melhorarem as suas contas pelo reconhecimento de prejuízos acumulados em créditos fiscais.

Também os ativos por impostos diferidos contribuíram para que, o ano passado, a Associação Mutualista Montepio tenha apresentado capitais próprios positivos de 510 milhões de euros, que contrastam com os capitais próprios negativos de 251 milhões de euros de 2016.

Os créditos fiscais do Montepio, conhecidos em março, provocaram polémica, com críticas e pedidos de esclarecimento por parte dos partidos PSD, CDS-PP, PCP e Bloco de Esquerda.

A Associação Mutualista Montepio Geral, liderada por Tomás Correia, é o topo do Grupo Montepio, tendo mais de 600 mil associados.

A sua principal empresa é a Caixa Económica Montepio Geral, que desenvolve o negócio bancário, da qual é presidente Carlos Tavares (ex-ministro da Economia do Governo PSD de Durão Barroso e ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).

Nos últimos anos várias preocupações vieram a público sobre a saúde financeira das duas instituições.

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