“Não agir não é opção”, diz ministro do Ambiente em conferência sobre alterações climáticas

Matos Fernandes sublinhou que Portugal tem “uma noção completa de todos os cenários das alterações climáticas”. Conferência do European Climate Change Adaptation (ECCA) 2019 tem lugar no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

DR Patricia Moreira, European Commission

Matos Fernandes, ministro do Ambiente, abriu a quarta edição do European Climate Change Adaptation (ECCA) 2019, um evento que vai juntar 1.200 mil investigadores, políticos e empresários para encontrarem em conjunto soluções.

No painel “A Europa está em risco – adaptação aos extremos”, João Matos Fernandes sublinhou a urgência em agir no combate às alterações climáticas, referindo que Portugal está na linha da frente no rumo à descarbonização. “Está-se a tornar cada vez mais claro dos impactos das alterações climáticas na nossa sociedade. Em termos gerais, as pessoas estão mais cientes mas ainda assim esta mensagem precisa de ser enfatizada. E em Portugal ela é”, referiu o ministro do Ambiente, relembrando que Portugal foi o primeiro país a assumir o compromisso para a neutralidade carbónica no mundo, com planos para atingir esse objetivo em 2050. “Não agir não é uma opção”.

O ministro do Ambiente sublinhou que Portugal é altamente afetado pelas alterações climáticas, desde as ondas de calor que provocam incêndios florestais e desertificação à subida dos níveis do mar, “temos quase uma noção completa de todos os cenários das alterações climáticas”.

Para além de alertar para a urgência climática, defendeu que é preciso respeitar o limite de 1,5.º centígrados de aumento da temperatura global, um objetivo que continua a não estar garantido.

Durante a conferência de imprensa, o ministro acrescentou que é preciso garantir que “25% das verbas do próximo ciclo de financiamento comunitário” vão para a ação climática, quer na mitigação pela redução de emissões de gases com efeito de estufa, quer na adaptação.

Algo que “tem que mudar” é o período de 10 anos que uma obra que receba financiamento europeu tem que esperar antes de poder ser novamente financiada, defendeu durante a conferência de imprensa. “Quando se trata de proteção do litoral ou obras hidrográficas, uma década é tempo demais sem haver novas intervenções”, indicou.

Também presente na sessão de abertura, esteve o presidente da Câmara de Lisboa que relembrou ao público que a cidade portuguesa foi eleita a Capital Verde para 2020, “temos que fazer deste ano um grande movimento social para mobilizar as alterações climáticas”.

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O ECCA faz parte de um dos mil projetos que o autarca de Lisboa tem preparado desde já a pensar numa estratégia de 2020 para 2030. Em novembro arranca o Orçamento Participativo, cuja verba duplicará para cinco milhões de euros, que serão destinados a projetos relacionados com a agenda verde da cidade, e que receberão um selo verde ambiental.

Ao longo de três dias, em 580 apresentações, o encontro será a maior edição da conferência bienal, que se realiza pela primeira vez num país do sul da Europa.

A conferência centra-se em temas como os incêndios florestais, a necessidade de o setor empresarial privado ter que se adaptar às mudanças trazidas pelo aquecimento global, as zonas verdes nas cidades, inovação na maneira como as cidades são desenhadas e geridas e iniciativas dirigidas à juventude, entre outros.

A cimeira continua amanhã, com o plenário da conferência é dedicado à adaptação da economia às alterações climáticas e na quinta-feira fala-se do caminho para o futuro, com contributos de responsáveis de agências internacionais de gestão de crises.

Paralelamente aos plenários, decorrem sessões sobre instituições, justiça social, os desafios colocados pelas alterações climáticas e a redução de riscos, comunicação, produção de conhecimento científico.

 

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