“Não fiz nem farei lóbi”. Durão Barroso reafirma que não faz lóbi junto da União Europeia

“Eu não fiz nem farei lóbi junto de responsáveis da União Europeia”, escreveu José Manuel Durão Barroso numa mensagem em inglês publicada no Twitter.

Cristina Bernardo

O ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso afirmou esta quinta-feiraque não fez nem fará lóbi junto de responsáveis da União Europeia, depois de a Provedora de Justiça Europeia recomendar a reavaliação da sua contratação pelo Goldman Sachs.

“Eu não fiz nem farei lóbi junto de responsáveis da União Europeia”, escreveu José Manuel Durão Barroso numa mensagem em inglês publicada no Twitter.

A declaração surge no dia em que a Provedora Emily O’Reilly recomendou que a contratação de Durão Barroso pelo Goldman Sachs seja reavaliada pelo comité de ética da Comissão Europeia, após um encontro do ex-presidente com o comissário Jyrki Katainen em outubro de 2017.

Na mesma rede social, o ex-presidente da Comissão Europeia recorda que a Comissão de Ética Ad-Hoc (AHEC, na sigla em inglês) analisou há mais de um ano a sua contratação pelo banco, após deixar as funções de presidente da Comissão Europeia, e não considerou envolver qualquer quebra dos seus deveres.

Sublinha ainda que as recomendações da provedora, hoje publicadas, “não envolvem qualquer apreciação jurídica” das suas funções.

Afirma ainda não se opor a uma eventual tomada de decisão da Comissão Europeia sobre a posição da AHEC.

“A principal preocupação da Provedora é que a Comissão Europeia não tomou uma decisão formal após receber a opinião da Comissão de Ética Ad Hoc e eu não tenho objeções à sua recomendação para que o faça agora”, escreve Barroso.

Nas suas recomendações, Emily O’Reilly considerou que o comité de ética poderá reavaliar se a contratação de Durão Barroso pelo Goldman Sachs” Internacional é compatível com os seus deveres ao abrigo do artigo 254” do Tratado de Funcionamento da União Europeia (TFUE).

Ao executivo comunitário é ainda aconselhado que “considere requerer ao seu antigo presidente que se abstenha de fazer lóbi junto da Comissão durante alguns anos”.

Numa carta enviada à provedora em resposta a uma versão anterior das recomendações, Durão Barroso manifestara “grande surpresa e grave preocupação”, considerando tratar-se de “um ataque político pessoal pouco velado”.

Ler mais
Relacionadas

Durão Barroso contesta “ataque político pessoal pouco velado” da Provedora Europeia

Numa carta endereçada a O’Reilly, com conhecimento do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, Durão Barroso contesta o conteúdo das 17 páginas de recomendações da Provedora de Justiça à Comissão Europeia hoje divulgadas, relativas a uma investigação conjunta de três acusações de lóbi junto das instituições europeias em favor do banco Goldman Sachs, depois de ter deixado o cargo de presidente do executivo da UE.

Juncker diz que Durão Barroso “não é um gangster”

Presidente da Comissão Europeia sai em defesa de Barroso que está ser acusado de ter quebrado a promessa de não fazer lobby pelo Goldman Sachs.

Goldman Sachs defende Durão Barroso e diz que encontro com comissário foi a título pessoal

“Desde o início do seu tempo connosco [Durão Barroso] recusou-se a representar o banco em qualquer interação com funcionários da UE”, assegura a instituição que adianta que “quaisquer reuniões desse tipo realizaram-se a título pessoal e resultam da sua longa carreira de serviço público”, esclarece o Goldman Sachs em comunicado.

Vice-presidente da Comissão admite reunião com Durão Barroso e relança polémica

O vice-presidente da Comissão Europeia Jyrki Katainen confirmou ter-se reunido em outubro passado com Durão Barroso, em representação da Goldman Sachs, reavivando a polémica sobre a ida do antigo presidente do executivo comunitário para o banco de investimento norte-americano.

Sobrinho Simões recusou ser ministro de Durão Barroso a convite de Rui Rio

Sobrinho Simões, crítico do estado do ensino da Medicina em Portugal, também aponta, como falhas na gestão do SNS, não existirem “lideranças fortes, avaliá-las e recompensá-las”. E acrescenta: “tal como está o público hoje, não consegue segurar os Sobrinho Simões do futuro”.
Recomendadas

“Que Deus abençoe a memória daqueles em Toledo”. Trump engana-se no nome da cidade do massacre no Ohio

O presidente norte-americano referiu-se referiu a Toledo, e não a Dayton, nas suas observações sobre um dos recentes massacres onde morreram nove pessoas e outras 27 ficaram feridas.

A “Casa de Papel” na vida real: Assalto à Casa da Moeda do México leva dos cofres 50 milhões em menos de 4 minutos

Os assaltantes conseguiram desarmar um guarda e furar todas as barreiras de segurança até chegarem ao cofre de segurança, que estaria aberto. Em menos de quatro minutos, o grupo de homens roubou e fugiu do edifício sem que a polícia tivesse sequer chegado.

Japão testa drones que transportam pessoas para diminuir o trânsito

Os responsáveis pelo projeto apontam que os drones tripulados poderão ser uma solução para combater o trânsito: “O Japão é um país com uma densidade populacional muito elevada, e como tal, carros voadores poderão ser a solução para diminuir o trânsito no país”.
Comentários