“Não temos fusões em vista, mas não dizemos que não”

A Pares Advogados tem procurado adaptar-se ao advogado moderno e contratar segundo as solicitações que os novos clientes fazem.

Há gravatas e salas de reuniões privadas, mas o ambiente informal entre os funcionários é rei e senhor na Pares Advogados. Neste escritório, criado há seis anos, a modernização e a proximidade são os principais motivos que levaram os fundadores a criá-lo quase exclusivamente em open space.

O sócio Luís de Gouveia Fernandes explica ao Jornal Económico que os gabinetes são de vidro transparente para transmitir a ideia de proximidade e que esta identidade nasceu do facto de terem sentido, antes de avançarem para o projeto, que estavam a perder contacto com os clientes e que fazia sentido ter uma sociedade de dimensão média.
O responsável do escritório, que conta atualmente com cerca de 30 colaboradores, nove deles sócios, não descarta um futuro vínculo a outros escritórios. “Não podemos prever se um dia ou outro vai surgir uma fusão ou outro tipo de ligação. Não está em vista, mas não podemos dizer que não”, explica o advogado.

Apesar do dinamismo deste mercado, Luís Fernandes opta por elogiar o regresso do interesse externo na economia portuguesa. Para o sócio, nota-se um maior investimento estrangeiro no país, sobretudo europeu, ao qual se têm de adaptar. “Há cinco anos, por exemplo, a área de M&A estava praticamente parada”, diz.
Por enquanto, as contratações dependem da experiência e do lugar que estiverem à procura de ocupar, sendo que a Pares responde em termos de mão de obra à medida que as solicitações dos clientes surgem. Caso se trate de um estágio, usam as job shops, mas o principal motor de recrutamento são as empresas de headhunting, porque fazem automaticamente uma seleção de acordo com o perfil do escritório.

A modernização que fomentam anda lado a lado com a tecnologia, um tópico para o qual a firma tem deslocado atenções. Tanto Luís Fernandes como Pedro Carreira Albano e António Juzarte Rolo, ambos sócios, temem que os trabalhos massificados deixem de ter a mesma intervenção de advogados mas, no que diz respeito a operações de contencioso ou negociações, não veem como possam ser substituídos. “Temos uma profissão de detalhe e pormenor. Pratica-se, ganha-se com a experiência e a especialização, mas também depende da personalidade”, argumentam.

Portais como o Citius permitem que, através de um clique, se aceda ao andamento do processo e auxiliam na relação entre os diferentes agentes de execução. Porém, os sócios da Pares acreditam que “qualquer dia vai rebentar de novo” e lançam um aviso ao Ministério da Justiça: “Não temos feedback sobre o estado, mas as bases têm de ser revistas”.

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