Nós por cá tudo bem. Mas em África, o ébola já deixa rasto de desgraça

Não é um estranho desde 1976 mas não restam dúvidas de que o atual surto do ébola é o mais extenso e prolongado de sempre. A 8 de agosto último, a OMS decretou o estado de emergência de saúde pública. Em Portugal está tudo a postos, garantem as entidades autorizadas a nos tranquilizar sobre esta […]


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Não é um estranho desde 1976 mas não restam dúvidas de que o atual surto do ébola é o mais extenso e prolongado de sempre. A 8 de agosto último, a OMS decretou o estado de emergência de saúde pública.

Em Portugal está tudo a postos, garantem as entidades autorizadas a nos tranquilizar sobre esta matéria tão sensível. E o risco é “extremamente baixo”, frisam.
Segundo adiantou ao OJE fonte oficial do Ministério da Saúde, o Governo pautará a sua atuação obedecendo a duas fases distintas: enquanto não existirem casos confirmados e neste caso os processos funcionam com reduzidos recursos, e numa eventual fase com casos confirmados na Europa passam a ser aplicados novos recursos. Importa esclarecer que até ao momento não se conhece a verba afeta a este dossier mas, ao que tudo indica, deve ser reduzida, tendo em conta que as despesas já efetuadas se prendem com a produção de cartazes e anúncios que alertam para os cuidados a ter e estão a ser assumidas pela Direção Geral de Saúde (DGS) e pelos hospitais de referência envolvidos. Inseridos neste contexto de prevenção, decorrerão hoje e amanhã, simulacros no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e no São João, no Porto. Mas as medidas no nosso país não se ficam por aqui.

Desde a passada segunda-feira que existe a “Plataforma de Resposta à Doença por Vírus do Ébola” que visa “detetar precocemente casos importados, impedir ou minimizar a ocorrência de casos secundários e de cadeias de transmissão da doença em Portugal, bem como definir, divulgar e operacionalizar um Plano de Resposta/Contingência com orientações e protocolos de atuação”. Sob a coordenação do diretor geral da saúde, Francisco George, a Plataforma conta com um grupo extenso de membros, que representam desde o INEM, Infarmed ou Instituto Ricardo Jorge, até às Forças Armadas e aos Assuntos Consulares. E por ocasião da primeira reunião da Plataforma, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, teve oportunidade de garantir que existe luz verde do Governo para um eventual reforço do orçamento devido ao surto do ébola. Macedo assegura que o assunto já foi discutido em conselho de ministros e que se for necessário ”haverá um reforço adicional do orçamento da saúde pois é precisamente para isto que se destinam as verbas e dotações provisionais que existem no ministério das Finanças”.
Em simultâneo com a Plataforma, surgiu uma outra ferramenta de prevenção: um site exclusivamente dedicado ao ébola, com todas as informações e recomendações (www.ebola.dgs.pt).

Com a “casa arrumada” e tudo preparado para intervir no domínio nacional, é tempo de ajudar os países mais afetados. E por isso, como confirmou o ministro da Saúde à saída da referida reunião, as autoridades portuguesas estão a articular uma frente de combate ao vírus com o Governo da Guiné-Bissau e a Organização das Nações Unidas (ONU). Uma ajuda que poderá passar por disponibilizar equipamentos médicos, medicamentos, material específico e uma equipa no terreno, mas sempre integrada numa operação conjunta com outras forças da ONU.

E sobre o panorama internacional não restam dúvidas de que os problemas se agigantam. Segundo um novo balanço da OMS, mais de 10 mil pessoas em oito países foram infetadas com o vírus e quase metade (4922) morreram. No total, registaram-se 10 141 casos de infeção pelo vírus: 4655 na Libéria, 3896 na Serra Leoa, 1553 na Guiné-Conacri, 20 na Nigéria, quatro nos EUA, um no Senegal, um em Espanha e um no Mali. O anterior balanço da OMS, divulgado na semana passada, era de 9936 casos de infeção, 4877 dos quais mortais.
A Nigéria e o Senegal foram declarados livres do vírus há uma semana, depois de passados 42 dias (o dobro do período máximo de incubação, que é de 21 dias) sem nenhum caso de sintomas da doença). A OMS indica que, em sete meses de surto, 450 profissionais de saúde foram infetados, mais de metade dos quais (244) morreram.

Em busca das “balas mágicas”
A OMS anunciou que os primeiros testes de vacinas contra o ébola na África Ocidental deverão arrancar em dezembro próximo, e que centenas de milhares de doses poderão estar disponíveis em meados de 2015. “Está tudo a ser preparado para começar os testes nos países afetados ainda em dezembro”, assegurou a diretora-geral adjunta da OMS, Marie-Paule Kieny.
Tendo sido esta a principal conclusão alcançada na reunião que a OMS promoveu para ouvir todas as partes envolvidas, nomeadamente peritos médicos, responsáveis de países afetados pela epidemia, empresas farmacêuticas e organizações financeiras.
Atualmente, existem duas vacinas experimentais, as principais candidatas aos testes, uma oriunda do Canadá (da agência de saúde pública do Canadá), e a outra de uma empresa farmacêutica britânica, a GlaxoSmithKline (desenvolvida em cooperação com autoridades de saúde dos EUA). Existem outras cinco mas em fase de avaliação, podendo entrar numa outra fase de testes agendada para março.
Quanto à seleção dos países afetados, Kieny avançou que o plano inicial é começar pela Libéria, e que já estão a decorrer as necessárias conversações com Serra Leoa e Guiné-Conacri para que ambos sejam incluídos nos testes da vacina. Por agora, garante que os testes estão na fase inicial, a passar por avaliações clínicas em vários países europeus e africanos, com o objetivo primordial de garantir que os produtos são eficazes e seguros. “A vacina não é uma bala mágica [contra o vírus]”, alertou Kieny, prometendo que, quando estiver pronta, ocupará o lugar central na luta para deter a epidemia.

E para esta cruzada, todo o apoio financeiro é pouco e fundamental.
No Luxemburgo, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) acabam de se comprometer em intensificar os esforços para obter mil milhões de euros para ajudar a combater o surto na África Ocidental. Até então, a contribuição total da UE está em 500 milhões de euros, sendo que 160 milhões vieram do Reino Unido. Porém, a Holanda já prometeu enviar uma fragata para a África Ocidental, alcançando, assim, um valor semelhante ao do Reino Unido. “Dinheiro, equipamento e pessoal são contributos muito importantes”, sublinhou a chefe da política externa da UE, Catherine Ashton.
Ainda no encontro no Luxemburgo, os ministros concordaram em nomear um coordenador europeu para o dossier ébola, definindo ainda que todos os voluntários terão atendimento médico de confiança na Europa, caso sejam infetados pelo vírus. Se o tratamento não puder ser feito de forma adequada no próprio país, será decidido, “caso a caso”, o transporte feito por um avião especial.

Países pagam mais que uma fatura
Feitas as contas, o drama da epidemia salda-se em vidas mas também nos orçamentos de estado. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o surto poderá custar entre 1% e 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países da África Ocidental. Globalmente, o ébola vai “provavelmente custar 1% ou 1,5% do PIB dos países da União do Rio Mano”, organização que integra a Libéria, a Serra Leoa e a Guiné-Conacri, “países que começavam a recuperar dos difíceis anos de crise, das guerras civis das décadas de 1960, 1980 e 1990”, referiu o presidente do BAD, Donald Kaberuka. As previsões da organização apontam igualmente que a Costa do Marfim, o quarto país daquela organização mas que ainda não foi afetado pela epidemia, deverá sofrer as mesmas consequências financeiras.
Donald Kaberuka alertou ainda que a segurança alimentar na Libéria, país que regista mais casos e mais vítimas mortais, também está “em risco”, uma vez que o vírus ameaça a manutenção das colheitas agrícolas. Neste país, “se hoje as pessoas não se ocupam da agricultura, existirá uma crise alimentar. É o primeiro impacto direto sobre os agricultores desta região”, apontou.
Além da crise imediata e a médio prazo, o responsável considerou que “a multiplicação das medidas de encerramento de fronteiras terrestres e aéreas em muitos países africanos”, decididas por “precaução”, irá custar “muito” ao comércio e aos fluxos económicos da região.
África, na sequência do vírus ébola, “arrisca a sua imagem, a fuga de investimentos, uma nova estigmatização, quando o continente começava a descolar”, lamentou Kaberuka.

Segundo um estudo da consultora Teneo Intelligence, a epidemia pode cortar dois pontos ao crescimento da economia da Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, os países mais afetados.
De acordo com os cálculos dos analistas desta consultora com sede em Nova Iorque citados pela agência Bloomberg, os custos económicos imediatos da epidemia que assola principalmente estes três países da África Ocidental podem chegar ao equivalente a dois pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar de nenhuma mina ter sido ainda encerrada, o fecho significaria um abrandamento ainda maior do crescimento, disse a consultora, sublinhando que estes Estados “são muito dependentes de ajuda externa” e que um agravamento da epidemia pode resultar no fecho das operações.
Os exemplos dos efeitos da epidemia que já matou mais de mil pessoas para as empresas sucedem-se, e vão deixando o rasto desde o abandono das terras por parte dos agricultores até ao adiamento dos planos de expansão da ArcelorMittal, a maior fabricante de aço do mundo, ao adiamento de uma emissão de títulos de dívida pública na Serra Leoa e à suspensão da exportação de borracha da Libéria pela empresa da Costa do Marfim Sifca.

Ébola, o que é?
Ébola é o nome comum dado à doença rara mas mortal (letalidade de 25% a 90%) causada pela infeção por vírus Ébola. O vírus é da família dos Filoviridae e é uma das causas de febres hemorrágicas virais. Tem cinco estirpes conhecidas.
A transmissão da doença por exposição primária acontece numa zona endémica do vírus e tudo indicia que os morcegos da fruta serão o reservatório natural do vírus e que podem ser infetados através da ingestão de frutos contaminados (contaminação através da saliva de morcegos). Depois de infetados, ocorre uma multiplicação rápida do vírus nos primatas não humanos que, se não for acompanhada por uma resposta capaz do sistema imunitário, poderá ser mortal.
A partir de primatas e/ou de outras espécies de animais infetados, pode verificar-se transmissão ao ser humano.
A exposição secundária envolve, assim, transmissão através de primatas e transmissão entre humanos e/ou com superfícies ou objetos contaminados.
Um método comum de transmissão na África Ocidental são os rituais fúnebres que envolvem contacto com o corpo de vítimas mortais através dos seus líquidos e fluidos corporais.
Também especialmente expostos estão os prestadores de cuidados de saúde que manuseiam diretamente fluidos de doentes e materiais médicos contaminados.

Podemos viajar?
Desaconselham-se viagens para países afetados mas, se tiver mesmo de se deslocar, os cuidados passam por evitar o contacto com doentes e cadáveres infetados; objetos ou superfícies contaminados; animais (vivos ou mortos); e cozinhar bem os alimentos. Durante a estadia, se apresentar sintomas deve contactar o Gabinete de Emergência Consular (00351961706472 ou 00351217929714). Durante e após o regresso, por exemplo na viagem, se existirem sintomas a tripulação tem de ser logo informada. Nos 21 dias seguintes, importa estar atento a qualquer manifestação de febre ou outros sintomas. Se o quadro se alterar, o primeiro passo é ligar para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24).

 

Sónia Bexiga

 

 

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