Novo Banco sai de 2016 sem comprador definido

Mais uma vez o Novo Banco está encalhado num processo de venda que continua mas não se fecha. Governo só vai decidir a quem entrega o banco de transição em janeiro.

Até 31 de dezembro dificilmente haverá uma decisão sobre o comprador do Novo Banco. Não há desfecho das negociações a tempo de o banco liderado por António Ramalho sair de 2016 com um comprador definido.

As negociações lideradas por Sérgio Monteiro, representante do Fundo de Resolução/Banco de Portugal, continuam intensas, mas até ao fecho da edição o China Minsheng Financial ainda não tinha fechado o contrato de financiamento com o sindicato bancário (para o qual poderá voltar a participar o Haitong Bank) que lhe permita financiar a compra do Novo Banco.

Segundo soube o Jornal Económico, o China Minsheng, que tem sede em Hong Kong, conta ter o sindicato bancário fechado no próximo mês, pelo que a venda do Novo Banco será “adiada” para janeiro, o que aliás já não surpreende o mercado.

O China Minsheng surgiu como candidato a uma fase que deveria suceder à venda directa, mas acabou por tomar a dianteira por causa das condições impostas pelos outros candidatos. Mas a proposta do China Minsheng acabou por se complicar.  Tal como o Jornal Económico avançou, o Haitong Bank, que assumia a operação de financiamento, retirou-se desse papel e deixou o China Minsheng sem fundos para apresentar. Tendo coincidido com a saída de José Maria Ricciardi da presidência do ex-BESI.

O China Minsheng surgiu na corrida à compra do banco português com o apoio do Haitong Bank, que se propunha a financiar a operação e a levantar fundos de Hong Kong. Uma vez que a China, por causa da erosão de divisas, não permite que saiam do país mais de 50 milhões de dólares por empresa. Nas últimas semanas, vários elementos do banco chinês estiveram em Lisboa em conversações com o Haitong Bank para obter do banco de investimento um empréstimo ponte. O Haitong Bank, hoje liderado por Hiroki Miyazato, pediu tempo para responder ao pedido do China Minsheng. Mas não terá chegado a tempo de fechar um acordo ainda em 2016.

O processo de venda do Novo Banco foi relançado a 31 de Março depois de uma tentativa falhada de vender o banco de transição no verão de 2015. O Banco de Portugal relançou então o processo de alienação que tinha sido anunciado a 15 de janeiro de 2016. Esse procedimento deveria seguir, em duas vias paralelas.  Por um lado, um “Procedimento de Venda Estratégica” para alienação direta e competitiva do Novo Banco, direcionado a investidores estratégicos que sejam instituições de crédito, empresas de seguros e/ou que já detenham diretamente, ou sob gestão, participações acionistas qualificadas em instituições de crédito e/ou em empresas de seguros. Aqui não caberia o China Minsheng, porque não é dono de companhias de seguros nem de bancos.

Por outro lado, um “Procedimento de Venda em Mercado”, que, sujeito ao cumprimento dos requisitos legais pode resultar na colocação de ações junto de investidores institucionais e, eventualmente, numa oferta pública de ações do Novo Banco. Este procedimento poderia envolver um ou mais investidores designados de “cornerstone investors”, que celebrassem um compromisso de compra de determinada percentagem de ações, em momento anterior à oferta pública. É aqui que cabe a candidatura do China Minsheng. Os chineses assinaram um memorando de entendimento que prevê um aumento de capital em duas fases, primeiro de 600 milhões e depois de 150 milhões.

O Lone Star também admite pagar 750 milhões pelo Novo Banco, segundo a imprensa, mas exige uma garantia de cerca de oito mil milhões ao Fundo de Resolução para os activos do side-bank, mas com contra-garantia do Estado. Por outro lado garante receita imediata ao Fundo de Resolução e um aumento de capital. Para além de prometer que os dividendos que vierem a ser gerados pelo Novo Banco sejam, em primeiro lugar, para o Fundo de Resolução. As propostas vinculativas caducam a 4 de janeiro, mas isso não é um obstáculo, revelaram fontes, pois esse prazo pode sempre alterar-se.

A proposta da Apollo/Centrebridge é também condicionada.

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