O Brasil em suspenso

No próximo fim-de-semana realizar-se-á a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras. As sondagens existentes ainda deixam em aberto o resultado final e, pela primeira vez em quinze anos, o Brasil está em suspenso pois existem razoáveis probabilidades da candidata do poderoso Partido dos Trabalhadores (PT), a Presidente Dilma Rousseff, perder. A mera possibilidade de isso […]

No próximo fim-de-semana realizar-se-á a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras. As sondagens existentes ainda deixam em aberto o resultado final e, pela primeira vez em quinze anos, o Brasil está em suspenso pois existem razoáveis probabilidades da candidata do poderoso Partido dos Trabalhadores (PT), a Presidente Dilma Rousseff, perder.
A mera possibilidade de isso acontecer, já constitui, por si, mais uma prova da vitalidade da sociedade e da democracia brasileira e diminui o receio, de muitos, de que o PT se pudesse vir a tornar mais um partido, como noutros países sul-americanos, que se perpetuaria no poder.
Mas para Dilma Rousseff a próxima semana será, seja qual for o sentido da votação, o encerrar de um ano horrível que, para muitos, se iniciou com as manifestações populares de Abril deste ano – e que continuaram até á problemática realização do Mundial de Futebol.
Os problemas de Dilma começaram, contudo, logo no início do seu mandato, sendo o maior desses problemas o facto de suceder a alguém como o Presidente Lula da Silva. Acresce que, quando pretendia conferir o seu cunho pessoal, ao governo e ao PT, foi afetada por graves problemas no elenco governativo que se foram repetindo ao longo destes cinco anos de governo. Muitos destes casos foram largamente mediatizados por uma comunicação social pouco isenta que, por influência de alguns grupos económicos, se mantém largamente hostil a Dilma.
As dificuldades eleitorais são o resultado desse mandato conturbado, bem como de uma política económica e financeira discutível. A frágil classe média, apesar do desenvolvimento económico do país, ou também por causa dele, nomeadamente com a tensão inflacionista, continuou a suportar muito do esforço orçamental. E, apesar de algumas melhorias na segurança e nas condições de vida gerais, viver no Brasil continua a ser, para a maioria dos seus cidadãos, caro, penoso e perigoso.
Por outro lado, o discurso do PT, de mudança profunda, deixava subjacente o objetivo do controlo progressivo de outros níveis de poder, para além dos níveis federais (Presidente, Câmara e Senado), como os governos estaduais e as prefeituras mas, também, o poder económico e até o judicial, o que contribuiu, ao fim de mais de uma década, para uma sensação de domínio partidário excessivo sobre os destinos do país.
Em Portugal, o tema Brasil suscita sempre algum frémito pelo efeito dos vasos comunicantes setoriais, da política aos negócios, do interesse de Estado aos interesses de alguns e porque constitui um dos mercados de sobrevivência para muitas das nossas empresas e cidadãos.
Muitos olharam para o Brasil como um ‘El Dorado’ ou mesmo um ‘Far West’ ideal para uma ‘fuga em frente’ para os seus negócios embora sem análise ou planeamento prévios. Mas o Brasil não é nem uma coisa nem outra, como outros países possui as suas próprias idiossincrasias que é fundamental conhecer.
É importante que o Brasil continue a crescer de forma sustentável e socialmente equitativa evitando a sobrecarga do orçamento público. O crescimento e a melhoria das condições de forma artificial dão, normalmente, problemas maiores como sentimos todos atualmente.
Portugal continuará a olhar para o Brasil como um mercado de oportunidades, esperando-se que as empresas o façam com mais conhecimento, não conhecimentos, e que as relações oficiais tenham em conta os interesses nacionais dos dois países e não sejam apenas meros prolegómenos de futuros negócios privados.

 

Jorge Silva Carvalho
Consultor especialista em inteligência competitiva e estratégia

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