O mito do Ali Babá e os Quarenta Ladrões

O Estado Islâmico (EI) do Iraque e do Levante tem, nos últimos meses, alargado a sua conquista territorial do leste da Síria ao noroeste do Iraque, com execuções sumárias de cidadãos iraquianos, decapitações públicas de reféns estrangeiros, atrocidades cometidas contra yazidis, cristãos, xiitas e sunitas, tudo em nome de uma suposta interpretação rigorosa da lei […]

O Estado Islâmico (EI) do Iraque e do Levante tem, nos últimos meses, alargado a sua conquista territorial do leste da Síria ao noroeste do Iraque, com execuções sumárias de cidadãos iraquianos, decapitações públicas de reféns estrangeiros, atrocidades cometidas contra yazidis, cristãos, xiitas e sunitas, tudo em nome de uma suposta interpretação rigorosa da lei islâmica (“Sharia”).

O El tem assegurado importantes fontes de riqueza para financiar a sua ofensiva, nomeadamente por via do controlo de campos petrolíferos na Síria, incluindo o maior campo petrolífero deste país, o campo de al-Omar nas proximidades da fronteira com o Iraque, mas também através do saque de bancos e empresas nos territórios sob o seu controlo, e dos fundos angariados junto de fundamentalistas radicais ricos, em particular da Arábia Saudita, do Qatar, do Koweit e dos Emirados Árabes Unidos.

O avanço no terreno do El e a proclamação de um califado nas áreas conquistadas resultou num surpreendente recrutamento de adolescentes e jovens adultos europeus pelo grupo. Nos últimos meses, estima-se que mais de 3 mil jovens europeus, britânicos, franceses, alemães, escandinavos, italianos e portugueses passaram por campos de treinamento de combate na Síria e no Iraque, aparentemente atraídos pelo mito do Ali Babá e os Quarenta Ladrões numa versão pós-moderna. Esta realidade constitui uma grande vitória para o Estado Islâmico, pois conseguiu atrair e recrutar jovens ocidentais, jovens que abdicam do modelo e estilo de vida europeu em favor do extremismo, fanatismo e ódio de um grupo terrorista que viola os próprios valores da lei islâmica e os valores universais compartilhados por toda a humanidade de amor, respeito e paz.

Há vários fatores que contribuem para esta situação. A crise económica e financeira instalada na Europa nos últimos anos provocou um crescimento do fenómeno radical religioso. Jovens frustrados e por regra desempregados, muitas vezes de segunda e terceira geração de imigrantes, com problemas económicos, sociais e escolares são facilmente seduzidos pela propaganda ideológica e pelas regalias financeiras do grupo extremista terrorista. E as fraquezas das políticas de integração racial na Europa incentivaram ainda mais esse fenómeno de adesão à Jihad islâmica.

No último Conselho de Ministros de Justiça e Assuntos Internos da UE, que teve lugar em 9 e 10 de outubro no Luxemburgo, os ministros dos 28 Estados Membros debateram a alarmante questão dos “combatentes estrangeiros” de origem europeia e, mais grave ainda, do retorno destes combatentes radicais, como também a gestão dos fluxos migratórios numa perspetiva de luta antiterrorista. O principal objetivo deste debate foi avançar com a conclusão da diretiva europeia relativa ao Registo de Identificação dos Passageiros da UE (Passenger Name Record – PNR) e o reforço do controlo das fronteiras externas da zona Schengen, em particular para prevenir a radicalização, partilhar mais eficazmente informações sobre elementos suspeitos, dissuadir, detetar e impedir viagens suspeitas bem como proceder a investigação e ação penal contra os combatentes estrangeiros.

De facto, a resposta da União exige, em primeiro lugar, um plano de ação coletivo, inclusivo e estratégico que começa dentro das fronteiras da União, na sua política interna, e que se reflete seguidamente na sua política externa.

A prioridade primordial moral e política dos governos europeus deve ser desenvolver políticas de abordagem do radicalismo dos próprios cidadãos da UE, de combater ativamente a exclusão social e a falta de perspetivas para os jovens europeus, e promover o conhecimento do verdadeiro conceito de Islão.
Caso contrário podemos correr o risco de enfrentarmos uma versão moderna e negra do Cavalo de Tróia, liderada pelos revivalistas radicais de Ali Babá e os Quarentas Ladrões

 

Evanthia Balla
Professora universitária

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