O problema do grande balanço da Fed volta a centrar atenções

O comité da Reserva Federal (Fed) norte-americana responsável pela delineação da política monetária iniciou discussões para reduzir a dimensão do seu balanço, que encontra-se actualmente em níveis máximos de 4,5 bilhões de dólares (trillion, em inglês), esperando começar o processo no final deste ano.

O objetivo da Fed será evitar a todo o custo uma repetição do taper tantrum de 2013. Mas será que consegue?

O taper tantrum ocorreu após Ben Bernanke, que na altura liderava o banco central, anunciar que a Fed iria deixar de comprar obrigações, gerando pânico global nos mercados, uma queda rápida na liquidez e consequente aumento das yields. Esta reação do mercado levou ao abandono desta ação pela Fed. Quatro anos depois, e com o balanço estável nos 4,5 bilhões desde 2014, este volta ao centro da discussão.

A Fed já avançou com algumas informações sobre o processo: não ocorrerá venda de obrigações directamente no mercado; a redução ocorrerá de uma forma gradual e previsível, não reinvestindo o valor facial dos activos quando estes chegam à maturidade e reduzindo assim a dimensão do balanço. No caso das obrigações, o ritmo de não reinvestimento será de 6 mil milhões de dólares por mês, crescendo a cada três meses em mais 6 mil milhões até atingir o limite de 30 mil milhões por mês.

No que refere a títulos garantidos por hipotecas e dívida de agências federais o limite de não reinvestimento será de 4 mil milhões, crescendo a cada três meses em 4 mil milhões até atingir os 20 mil milhões de dólares por mês.

Qual será o impacto deste processo no mercado? A decisão de evitar a alienação de obrigações directamente no mercado evita o efeito negativo sobre o preço que decorria de um aumento da oferta. Ainda assim, o impacto no mercado não pode ser ignorado, dado que o não reinvestimento do valor facial terá um impacto no lado da procura das obrigações, reduzindo esta, e espoletando um aumento nas yields e o respectivo efeito contrário no preço.

Adicionalmente, é importante destacar o impacto que a compra de ativos tem na economia – ao injectar liquidez na economia o programa sustenta o crescimento económico permitindo financiamento mais fácil pelo Estado e as famílias. A remoção desta liquidez reduz assim um suporte importante da economia.

Ainda assim, os potenciais efeitos desta operação não podem, nem devem, ser exagerados, quer em expectativas que terá um impacto nulo, quer em expectativas que levará a recessão económica.

No evento de uma reacção mais adversa nos mercados e na economia é expectável que a Fed faça uso de outra das suas armas – as taxas de juro – para mitigar este impacto, tomando um tom mais dovish na delineação destas. A interrupção do processo de redução do balanço também pode ocorrer, no caso de um impacto mais negativo.

Adicionalmente, a Reserva Federal, agora sobre o comando de Yellen, aprendeu a lição de 2013, e irá preparar o mercado. De facto, o mais expectável é que, tal como ocorreu no processo de inicio de aumento de taxas de juro, o mercado antecipe o efeito do processo ainda antes de este ocorrer.

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