O que fazer em tempo de crise: vender, comprar ou manter?

Na atual crise financeira despoletada pela Covid-19 muitos são os investidores que continuam a questionar-se o que fazer com as suas ações: vender, comprar ou manter?

Sempre tivemos em mente que investir em ações é uma estratégia de longo prazo, mas em momentos de crise, esta noção não torna as coisas mais fáceis e persistem as dúvidas sobre o que fazer: vender, comprar ou manter? Para apoiar os investidores, olhámos para o passado na tentativa de compreender o que sucedeu em crises anteriores de grande magnitude (tomando como referência o índice S&P 500).

Embora conscientes de que os acontecimentos passados não predizem o futuro e podem não se repetir, recuámos a 1871 e percebemos que nos últimos 148 anos houve 11 ocasiões em que as ações perderam pelo menos 25% do seu valor. Em média, nestas crises, as perdas ascenderam a 33% e o tempo de recuperação do valor investido foi de 1,8 anos.

  • O pior registo foi o da Grande Depressão (1930), com perdas superiores a 80% e mais de 15 anos para recuperar;
  • Em sete situações – 1877, 1903, 1907, 1917, 1970, 1974 e 1987 – os investidores que se mantiveram no mercado recuperam as perdas em dois anos ou menos;
  • Em três casos – 1893, 2001 e 2008 – a recuperação alongou-se a quatro e cinco anos;
  • Nas últimas crises – 2001 e 2008-  a venda (dinheiro em vez de ações) não compensou.

Entre 1871 e 2019, as ações norte-americanas revalorizaram-se 8,9% numa base anual, o que equivale a 6,7% ao ano acima da inflação, enquanto uma opção por divisa gerou 4% ao ano.

Vender, comprar ou manter? Vender foi a pior opção

Reduzir, reforçar ou manter o nível de exposição em tempo de crise tem consequências na recuperação. O que nos dizem as lições do passado?

  • Vender – a tentação e vender e reduzir exposição para realizar capital é grande em tempos de crise, mas a história mostra que esta é uma das piores opções. Por exemplo, quem saiu do mercado, trocando ações por liquidez, após a primeira queda de 25% da Grande Depressão teve de esperar até 1963 para recuperar o investimento inicial. Se tivessem permanecido investidos a recuperação aconteceria 18 anos antes.
  • Comprar – nas 11 situações históricas, o reforço do investimento em ações encurtou o tempo de recuperação em seis dos casos, mas só num – Grande Depressão – foi realmente relevante. Nesta crise, comprar periódica e consecutivamente reduziu em quase sete anos a recuperação face aos 15 anos que esperam os investidores que não alteraram exposição. De resto, não produziu qualquer efeito em quatro situações e foi prejudicial numa delas.
  • Manter – manter a exposição parece ser historicamente uma opção relativamente segura no longo prazo. Os investidores que tiverem “sangue frio” para manter o nível de exposição anterior à crise acabaram por conseguir melhores resultados do que quem vendeu e, salvo a exceção da Grande Depressão, estes resultados não seriam muito diferentes para quem aumentou exposição.

Manter ou reforçar foram, por isso, as opções que historicamente mais compensaram. Em ambas, o mais importante é manter a consciência de que a recuperação demorará. Quanto é impossível dizer, mas a visão de longo prazo, tanto para a nossa vida pessoal como para a nossa visão sobre as empresas, continua a mostrar-se essencial para que as cicatrizes sociais e financeiras não durem ainda mais tempo.

 

 

Este conteúdo foi produzido em colaboração com a Schroders.

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