O truque de Carlos Costa sobre a idoneidade de Ricardo Salgado

O livro da jornalista Maria Teixeira Alves “O fim da era Espírito Santo”, vai ser lançado no próximo dia 3, editado pela Alêtheia. O OJE antecipa uma das histórias que aconteceram numa fase crucial das opções do então CEO Ricardo Salgado. “Estávamos em Março de 2013, dia 21, e é a eleição dos membros dos […]

O livro da jornalista Maria Teixeira Alves “O fim da era Espírito Santo”, vai ser lançado no próximo dia 3, editado pela Alêtheia. O OJE antecipa uma das histórias que aconteceram numa fase crucial das opções do então CEO Ricardo Salgado.

“Estávamos em Março de 2013, dia 21, e é a eleição dos membros dos órgãos sociais para 2013 a 2016 na Assembleia Geral do banco liderado por José Maria Ricciardi. A maioria dos administradores foi reconduzida. A exceção recai sobre Bernardo Moniz da Maia, que deixou de ser administrador do BESI. À nova lista foram anexados os nomes de Pedro Mosqueira do Amaral, e Alan do Amaral Fernandes. A lista de administradores passa agora de 22 para 23 elementos, mantendo José Manuel Espírito Santo e Amílcar Morais Pires. José Maria Ricciardi mantém-se vice-presidente (e presidente da Comissão Executiva) no banco que tem como chairman Ricardo Salgado.

Mas o Banco de Portugal informa que tem de reconfirmar a idoneidade dos administradores do BESI, e por algum motivo, que hoje se imagina ser sinal do que se passava, decide adiar essas reconfirmações. Era uma espada de Damôcles em cima da cabeça dos administradores sempre pronta a usar.

Sabe-se hoje que Carlos Costa não deu logo a idoneidade porque seria uma forma de pressionar a mudanças na cúpula do BES que nessa altura o Governador, bem como o Governo por intermédio daquele, já tinham leves suspeitas de que essa alteração seria imprescindível. Foi com o fantasma de perder a idoneidade que Ricardo Salgado aceitou ser substituído. Não queria passar pela humilhação de lhe ser retirada pelo supervisor a legitimidade para ser banqueiro.

Um banqueiro Espírito Santo sem idoneidade era uma facada demasiado funda no orgulho da família. Foi com essa jogada que Carlos Costa adiou a confirmação da idoneidade. Era a torre do tabuleiro de xadrez. Acabou por a confirmar já em Junho, depois de Ricardo Salgado anunciar a saída. Mas só a reconfirmou para José Maria Ricciardi. Da família mais nenhum foi confirmado, o que indica provavelmente que os três membros da família que estavam no board dos bancos vão ser inibidos depois da auditoria forense.

Carlos Costa também não confirmou a idoneidade a Amílcar Morais Pires, por motivos óbvios. Ricardo Abecassis era um desses administradores. Já tinha saído da administração do BES, mas continuava administrador do BESI. A sua idoneidade estava em suspenso desde Março de 2013, e agora, sabia, não lhe ia ser confirmada.

A razão está ancorada à sua função de Presidente do Conselho de Administração do Banco Espírito Santo Angola um dos grandes responsáveis pelos desequilíbrios financeiros que levou ao descalabro do Banco Espírito Santo. O ter sido chairman de Álvaro Sobrinho como presidente da comissão executiva, fora-lhe fatal. De nada serviu explicar que as decisões de Álvaro Sobrinho passavam por Ricardo Salgado, que o Banco de Portugal não se comoveu.”

Por Carlos Caldeira e Vítor Norinha

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