Olivier Spreafico: “O investimento que as empresas fazem em cibersegurança e proteção dos dados não gera receita”

Em entrevista ao Jornal Económico, o ‘business unit leader’ da CGI conta também que os países da Europa do Sul têm as maiores competências abarcadas sobretudo no segmento das utilities, serviços financeiros e também das telecomunicações

Todos os anos, a multinacional de Tecnologias de Informação (TI) CGI ouve ‘a voz do cliente’ e questiona cerca de 1.400 pessoas inseridas em cada uma das geografias nas quais opera sobre as suas preocupações. Na última ronda de questões, a CGI concluiu que, em torno de vários setores, o maior desassossego das empresas é a cibersegurança e a proteção dos dados. Aí, o segmento dos Serviços já começou a avançar: mais do que recolher dados, pensa: “O que é que podemos fazer com eles?”

“O único problema que as empresas têm com isso é que o investimento que fazem em cibersegurança e proteção dos dados não geram nenhuma receita, aumenta o custo. É contra isto que a indústria está lutar (…). Ainda é mais complicado quando a maior parte das fugas de informação é oriunda de fatores humanos”, afirma ao Jornal Económico, Olivier Spreafico, business unit leader da CGI, à frente da empresa de TI desde agosto do ano passado.

O líder da unidade de negócios portuguesa salienta o medo que os empresários têm das coimas do 4% do volume de negócios global de cada empresa, imposta pelo Regulamento Geral da Proteção de Dados, e lembra que, no caso da CGI, isso corresponderia a uma quebra de 4% nos atuais 11 mil milhões de dólares canadianos (aproximadamente 7,1 mil milhões de euros) reportados de receita anual – ou seja, cerca de 440 milhões de dólares canadianos (perto de 286 milhões de euros). Além dos custos, o impacto seria grande na reputação. “Quando há um risco de reputação isso leva automaticamente a uma perda de negócio”, sublinha.

Olivier Spreafico nasceu na Bélgica e já viveu na Austrália, no Canadá, em Itália, na Alemanha e no Brasil. Enquanto profissional com um background financeiro, confessa que as afunções agora são distintas, no entanto, o trabalho que desenvolveu, por exemplo, na Fujitsu e na Siemens tê-lo-á ajudado a desenvolver competência na gestão dos negócios na área da Tecnologia.

“É sempre um desafio passar das Finanças à Tecnologia e operações, a natureza do trabalho e o nível de responsabilidade muda, mas há sempre a internacionalização. Não pertenço a um país, pertenço a uma região”, justifica o porta-voz da CGI em Portugal. Do conjunto de nações nas quais residiu, Olivier não consegue escolher um que se assemelhe ao ritmo de trabalho português. Segundo o gestor de operações, quase tudo depende da estrutura da empresa:

“Claro que cada empresa e cada país têm a sua cultura própria, mas devido à organização que nós temos também temos responsabilidades horizontais. Para a CGI, é muito importante que todas as operações sejam próximas dos clientes. Não somos a favor de grandes organizações por todo lado mas sim de satélites onde os clientes estejam”, diz.

É por este motivo que a empresa de TI se posicionou em vários “metro markets” estratégicos dentro desta unidade de negócios. “Temos o de Portugal, o de Madrid, o de Barcelona e, provavelmente, iremos construir um em Bilbao. Cada um dos “metro markets são responsáveis pelo desenvolvimento do negócio nesse local e servir o cliente a nível local”.

Na mesma entrevista, o responsável pela unidade de negócio que envolve a Península Ibérica, Brasil e Itália adiantou também ao semanário que França e Canadá são dois dos países interessados no desenvolvimento da tecnologia cloud e na aposta num Cloud Innovation Center, como o que foi implementado em Sintra há cerca de um ano. Já no início do projeto se mostrou interessado em tornar o país um hub na prestação deste tipo de serviços. Hoje em dia, considera que a missão está cumprida. “É único na Europa o que estamos a fazer aqui”, defende o representante da empresa que conta atualmente com mais de 1.500 membros em Portugal, distribuídos pelos seus centros de operações de Lisboa, Sintra, Sacavém, Odivelas e Porto.

De acordo com o business unit leader de Portugal, os países da Europa do Sul têm as maiores competências abarcadas sobretudo no segmento das utilities, serviços financeiros e também das telecomunicações. “O mercado das telecomunicações é muito complexo e complicado. Em Portugal estamos presentes nele parcialmente. A energia é completamente diferente. É um dos mercados mais importantes, mas também estamos a crescer muito na indústria”, assinala Olivier.

A CGI registou uma receita de 2,9 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 1,9 mil milhões de euros) no primeiro trimestre fiscal de 2018, o que representa um crescimento de 5,3% face ao período homólogo do ano passado.

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