Orey propõe reestruturar dívida de 30 milhões

Os obrigacionistas vão ser chamados a aceitar converter dívida que vencia em 2021 em perpétua e com juros mais baixos.

A Orey Antunes vai propor que os detentores de obrigações aceitem transformar a dívida em perpétua, com forte corte de juros, e o pagamento destes condicionados à distribuição de dividendos ou bens aos acionistas. Em compensação deu como garantia as unidades de participação (quotas) de um Fundo no Brasil em favor dos obrigacionistas.

Isto é, os obrigacionistas são convidados a aprovar que a dívida passe a perpétua e os juros (de 1,5% ao ano) só sejam pagos se houver distribuição de dividendos ou de reservas, portanto os credores só recebem se os accionistas receberem também.
Para compensar a Orey propõe aos obrigacionistas dar como garantia as quotas do fundo no brasil para servir integralmente esta divida antes de qualquer outro credor.

Duarte d’ Orey, presidente da empresa, disse ao Jornal Económico, quando questionado sobre a reestruturação da dívida emitida pela empresa e cujo o agente pagador foi o BCP, que “o racional da proposta da alteração do pagamento dos juros prende-se com poder ter a flexibilidade de acumular esses juros ao capital, sendo que assim que a empresa gerar cash flow operacional suficiente para pagar os cupões fá-lo-á, só depois podendo pagar dividendos aos acionistas. portanto os acionistas só recebem depois de os obrigacionistas terem recebido todos os cupões acumulados e não pagos. Ou seja, os obrigacionistas estão sempre primeiro e acumulam todos os anos que não receberem”, diz.

Duarte d’ Orey explicou ainda a situação de dificuldade que enfrentam as holdings financeiras. “Os bancos portugueses não emprestam nem a holdings nem a empresas do setor financeiro. Tivémos que vender o Banco Inversis porque fez-se a compra do RBC em Espanha e em Portugal não havia acesso ao financiamento para a compra da nossa parte (50%). A banca portuguesa continua com pouco capital e têm de selecionar os sectores e as empresas a que concedem crédito. Nesse sentido fomos forçados a uma desalavancagem radical que termina com esta reestruturação”, refere.

A Sociedade Comercial Orey Antunes convocou para o próximo dia 21 de junho, às 15 horas, uma Assembleia de Obrigacionistas para os titulares de obrigações da emissão de até 30 milhões de euros de obrigações Best of Fixed/Floating Callable Notes due 2018, atualmente com vencimento em 2021. O objectivo é reestruturar a dívida.
A Orey propõe passar a dívida para perpétua, isto é sem prazo de maturidade para devolver o investimento, para além de propor “o estabelecimento de um período de carência no vencimento de juros das Obrigações a ocorrer entre os dias 8 de julho de 2016 e 7 de julho de 2017”, juros passados não pagos e a ser pagos em julho deste ano; e ainda alterar a “taxa de juro aplicável às Obrigações, passando de 3% para 1,5% ao ano para os períodos de contagem de juros que ocorrem a partir do dia 8 de julho de 2017”. A emissão já tinha sofrido um adiamento de 2018 para 2021.

A Orey propõe à assembleia  “alterar os termos e condições das Obrigações por forma a que estas deixem de ter data de vencimento (Maturity Date) no dia 8 de julho de 2021 e passem a ser qualificadas como perpétuas, isto é, a ter um prazo de vencimento associado à duração da Emitente”. Mas o ponto três é o que mais preocupa os investidores uma vez que propõe deliberar “sobre a sujeição do pagamento de juros à verificação da condição de ter sido deliberado no mesmo ano civil pela Emitente [Orey] distribuir bens aos acionistas (seja a título de dividendos ou de reservas), incluindo o pagamento de juros com data de vencimento de 8 de julho de 2017, sendo que os juros vencidos e não pagos se acumulam até ao seu pagamento”.
A Orey propõe aos obrigacionistas, “sujeito à aprovação das propostas que venham a ser submetidas pela Administração da Emitente à votação da assembleia de Obrigacionistas, deliberar sobre a constituição de um penhor sobre 6,3 unidades de participação seniores e 7,5 unidades de participação juniores no Fundo de Investimentos em Direitos Creditícios Não Padronizados, bem como sobre os rendimentos do Fundo, para garantia de pagamento dos juros no âmbito das Obrigações”. “Na prática ao alterar a maturidade, ao dar como garantia  as quotas do fundo no Brasil e ao permitir o reembolso antecipado estamos a ajustar a maturidade da obrigação ao prazo de materialização dos investimentos no fundo, ficando os obrigacionistas melhor, sempre e quando, esse prazo seja anterior ao prazo actual da obrigação (2021)”, diz a Orey. “Os obrigacionistas ficam também com um ativo que vai servir integralmente esta divida antes de qualquer outro credor. Só depois de pagos estes obrigacionistas na sua totalidade é que este ativo pode reembolsar outros credores”, acrescenta.
“Resumindo, os obrigacionistas vão ficar com a garantia de um activo que assim que for libertado será integralmente afecto ao pagamento dessa emissão”, diz a Orey.

No ponto cinco é proposto “deliberar sobre a criação da faculdade de a Emitente proceder ao reembolso antecipado total ou parcial das Obrigações em caso de liquidação do Fundo”.
O FIDC, constituído no Brasil durante o 3º trimestre de 2016, agrega a gestão dos investimentos da Orey e da FAWSPE na massa falida da A. Araújo.  Este Fundo que a Orey quer que sirva de colateral para o pagamento da dívida aos obrigacionistas, tem como activo vários créditos sobre a massa falida da empresa brasileira cujo o único ativo que tem para pagar aos credores (massa falida) é dinheiro depositado no banco do Brasil. Portanto este Fundo é um FIDC (Fundo de investimento em direitos creditícios) e conta com um montante de cerca 800 milhões de reais (cerca de 221 milhões de euros), depositados no Banco de Brasil, e só serão libertados depois de decisão judicial do processo de falência que está a correr na corte especial do Supremo Tribunal de Justiça.

A Orey tem vindo, desde o ano passado a levar a cabo uma reorganização interna profunda na Orey Financial e no centro corporativo tendo reduzido custos operacionais em cerca de 65%. Nesta altura, em junho (após o prazo legal de 31 de maio), empresa ainda não apresentou os resultados consolidados de 2016. A sociedade está em mudança de auditor habitual (de dois em dois mandatos), o que pode explicar em parte o atraso, diz a empresa. Os últimos dados remontam a Setembro de 2016 altura em que o grupo duplicou os prejuízos para 2,8 milhões de euros (dos quais 5 milhões negativos foram extraordinários do Banco Inversis).

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