Pelo Instituto de Odivelas

Quando um dia recordarmos este período de influência da Troika em Portugal, cujo modelo de economia liberal foi elogiado e seguido por Passos Coelho como o meio ideal para poder implementar uma viragem radical na conceção social do nosso país, será bom não esquecermos nenhuma das muitas instituições nacionais que foram, uma a uma, e […]

Quando um dia recordarmos este período de influência da Troika em Portugal, cujo modelo de economia liberal foi elogiado e seguido por Passos Coelho como o meio ideal para poder implementar uma viragem radical na conceção social do nosso país, será bom não esquecermos nenhuma das muitas instituições nacionais que foram, uma a uma, e pouco a pouco, vendidas, destruídas e encerradas. Tentemos não as esquecer, porque foram muitas e algumas de enorme importância histórica e simbólica.

É fácil destruir em 3 anos o que levou décadas ou séculos a construir – faz-se, sem remorso nem consciência, por decreto, ou até com um simples despacho, como o que extinguiu em 2013 o Instituto de Odivelas (IO) fundado em 1900, com 113 anos de história a servir a Educação de excelência em Portugal.
Com a desculpa de que o IO não é extinto mas apenas fundido com o Colégio Militar (fundado em 1803) e que assim se põe fim à descriminação feminina que impedia a frequência de meninas no Colégio Militar, esta fusão, estúpida, desvirtua, compromete e descaracteriza também o Colégio Militar, outra instituição simbólica, escola inicial de insignes individualidades nacionais nas mais diversas áreas, cuja essência é também posta em causa com esta medida duplamente funesta.

Como é que Portugal se pode dar ao luxo de destruir símbolos do melhor que fomos conseguindo criar e aperfeiçoar, com esta ligeireza?

A reforma das escolas militares levada a cabo pelo Ministério da Defesa, com o acordo do Ministro da Educação, demonstra como o governo ignora a essência das matérias em que mexe. Ignora o que faz das Meninas de Odivelas um exemplo de excelência no ensino em Portugal; ignora o que está para além do estrito cumprimento dos programas e metas curriculares; ignora o sentimento de corpo, de pertença, de partilha e de solidariedade que marca as alunas que por lá passaram; ignora os conceitos de ética e os valores que se cultivam naquela escola para toda a vida; ignora que entre algumas das mais proeminentes mulheres na sociedade portuguesa estão ex-alunas de Odivelas, que nunca precisaram de frequentar colégios mistos para se afirmarem.

Por isso, só pode ser por ignorância e preconceito que o governo resolve extinguir aquela que é a 2ª melhor escola no ranking das escolas públicas portuguesas no secundário.
Para além disso, trata-se afinal de uma medida despesista, que obriga à construção de um anexo de vários milhões no Colégio Militar para alojar as meninas e ao desperdício das atuais instalações, bem equipadas e mantidas, com laboratórios e com todo o tipo de meios complementares de aprendizagem.

Este assunto é de interesse nacional e o interesse nacional está a ser lesado com a destruição do Instituto de Odivelas, com a desvirtuação apressada do Colégio Militar e com a diminuição das opções de escolha.
Tudo isto devido à incapacidade do Ministro da Defesa em perceber que o Instituto de Odivelas enriquece e acrescenta o país, em vez de o diminuir.

de passagem
Gabriela Canavilhas
Pianista, deputada
e ex-ministra da Cultura

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