Perdas superiores a 3% do BCP afundam PSI 20

O facto de seis cotadas estarem a negociar sob forma de ex-dividendos também influencia a performance da praça lisboeta.

Benoit Tessier / Reuters

A bolsa portuguesa está em queda, a meio da sessão, em linha com as principais congéneres europeias. O principal índice bolsista nacional, PSI 20, afunda 1,76%, para 5.511,84 pontos, pressionado sobretudo pelo BCP, Jerónimo Martins, Galp, EDP e Pharol.

O facto de seis cotadas estarem a negociar sob forma de ex-dividendos também influencia a performance da praça lisboeta.

O BCP lidera as perdas, afundando 3,08%, para 26 cêntimos, uma vez que a cotada está pressionada pelo cenário de crise política em Itália.

A retalhista Jerónimo Martins também pressiona o índice, caindo 1,72%, para 13,75 euros.

A Galp Energia está condicionada pela fraqueza da cotação do crude e segue a cair 1,61%, para 15,60 euros.

De acordo com uma nota de análise do Millenium Investment Bank, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) “e os seus aliados, incuindo Rússia, concluíram que o mercado petrolífero está agora rebalanceado, tendo sido eliminado o excesso de oferta”.

Na abertura do mercado europeu, o petróleo corrigia perto de 2%  e “fontes próximas do caso indicam que os inventários já se encontram em níveis abaixo da média dos últimos 5 anos nas economias desenvolvidas”.

Por ora, o Brent negoceia a 75,34 dólares por barril, desvalorizando 1,48%. Já o WTI cai 1,71%, para 66,72 dólares.

A EDP, que está a ser alvo de uma OPA da China Three Gorges, está a cair 1,17%, para 3,38 euros.

E nas telecomunicações, destaque para a Pharol que desvaloriza 0,94%, para 26 cêntimos.

Na sessão de hoje, a Galp Energia, Altri, F.Ramada, Sonae SGPS, Sonae Capital e Sonaecom estão a negociar em ex-dividendo. Ou seja, “quem comprar ações [já] não recebe os dividendos propostos pela empresa”, explica a trader da XTB, Carla Maia Santos.

Em terreno positivo negoceiam a Altri, F, Ramada, Semapa, Ibersol e Sonaecom.

Entre as principais praças europeias, o cenário é positivo. O alemão DAX cai 0,73%, o francês CAC 40 perde 0,80%, o holandês AEX deasvaloriza 0,73%, o espanhol IBEX tomba 0,87% e o italiano FTSE MIB perde 2,44%.

O mercado alemão pode estar a sofrer com as alegadas investigações sobre manipulações de emissões de gases poluentes da Daimler. As autoridades alemãs estarão a investigar um potencial software malicioso instalado em 120 mil motores a diesel para manipular o controlo das emissões de gases, à semelhança do escândalo que afetou a Volkswagen.

O jornal alemão “Bild”, sem identificar fontes, noticiou que o software terá sido instalado nos Mercedes C-Class sedan e nas carrinhas Vito. Os motores em causa (OM622 e OM626) são fornecidos pela Renault.

Em itália, o recuo de Giuseppe Conte em formar governo em Itália, colocando o país na rota de uma crise política, e o convite do presidente da República italiano a Carlo Cottarelli para formar governo está a condicionar a praça italiana.

Esta segunda-feira, o mercado norte-americano está encerrado devido ao feriado do ‘Memorial Day’. Ainda assim os EUA têm influência sob a Europa: através de um tweet do presidente norte-americano, que confirmou ter uma delegação na Coreia do Norte a trabalhar na cimeira, deixando sinais que o evento irá mesmo acontecer, acalma receios dos investidores demontrados ao longo da última semana.

“Com tantos obstáculos exógenos pela frente – Coreia, protecionismo, política em Itália e Espanha – as bolsas europeias deverão descansar e Wall Street irá, no melhor dos casos, valorizar de forma lenta”, refere a análise do Bankinter.

“O mais importante é que sejamos pacientes e persistentes com a exposição ao mercado acionista, de forma a obter resultados. Caso contrário, iremos simplesmente perseguir o mercado nas subidas e nas descidas, sem beneficiarmos das mudanças de contexto”, conclui a análise.

No mercado cambial, o euro perde 0,35% face ao dólar, para 1,16 dólares. “O dólar tocou em máximos do ano nos 1,1667, mas a instabilidade política na Europa em conjunto com a sensação de maior força do ciclo nos EUA estão a levar a um maior interesse por ativos americanos vs europeus”, refere a mesma nota do Bankinter.

[Dados das 13h51]

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