Peritos em cibersegurança avaliam negócios

Peritos em cibersegurança estão a ser contratados para avaliar os riscos inerentes aos negócios de aquisição e fusão de empresas. A consultora Deloitte diz que esta camada extra de segurança será cada vez mais importante para este tipo de negócio.

Executivos, empresas e fundos de investimento estão a acrescentar uma camada extra de proteção no processo de aquisição de novas empresas, avança a Bloomberg, que diz que, para o efeito estão a ser contratados peritos em cibersegurança. A sua função é avaliar os riscos informáticos das empresas marcadas para aquisição, à medida que os ataques informáticos globais aumentam a consciencialização para este problema.

“Há o risco de se estar a comprar uma empresa ‘vazia’”, pagando a mais por uma empresa cujas patentes foram espiadas e copiadas ou cujos dados de cliente foram roubados, refere à Bloomberg Michael Bittan, responsável pela unidade de Risco Cibernético da Deloitte em França. “A cibersegurança não é um aspeto técnico, tem um impacto nos negócios e, em última análise, na avaliação das empresas. E vai tornar-se um dos pilares das estratégias de Fusão e Aquisição das empresas.”

O primeiro exemplo do impacto da cibersegurança aconteceu em 2014, quando um ataque à Yahoo! afetou cerca de 500 milhões de contas, prejudicando a imagem da empresa e levando a que a Verizon cortasse a sua oferta de aquisição em cerca de 350 milhões de dólares.

Através deste novo mecanismo, poderão ser diminuídas as avaliações dadas às empresas a adquirir caso existam provas de invasão informática, diz a Bloomberg, referindo, uma sondagem levada a cabo pela Bolsa de Nova Iorque. Os dados indicam que 85% dos investidores inquiridos afirmaram que a descoberta de vulnerabilidades a ataques informáticos na fase de auditoria de uma aquisição iria certamente afetar a sua decisão de avançar ou não com o negócio.

“Esta tendência vai crescer, vamos ver cada vez mais empresas a abortar negócios ou a desvalorizar a empresa-alvo”, afirmou também Grace Keeling, responsável pela comunicação da Intralinks, que levou a cabo uma sondagem semelhante. A empresa, que oferece caixas-fortes virtuais aos seus clientes (como o Credit Suisse Group) no decorrer de negociações, afirmou à Bloomberg que a maioria dos inquiridos disse estar disposto a cortar a avaliação em até 20% no caso de ser descoberta uma vulnerabilidade numa empresa que fosse alvo de aquisição.

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