Pharol e BCP pressionam bolsa nacional. Europa segue em terreno negativo

“As bolsas estão muito concentradas e os futuros do S&P 500 estão a negociar em baixa, o que está a penalizar os índices europeus”, afirma Paulo Rosa, trader da Gobulling – Banco Carregosa.

Stringer/Reuters

A bolsa nacional negoceia esta quarta-feira, 7 de março, em sentido negativo, partilhando o sentimento negativo das bolsas europeias. A meio da manhã, o principal índice português, PSI 20, cai 0,28%, para 5.339,25 pontos, pressionado pelas perdas da Pharol e do BCP.

A Pharol lidera as perdas, ao cair 2,22% para 0,220 euros. Paulo Rosa, trader da Gobulling – Banco Carregosa, explica que a cotada está a ser pressionada, depois de ter comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que a Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) – o regulador brasileiro – impediu a operadora de telecomunicações brasileira Oi de concretizar o aumento de capital acordado na segunda-feira em reunião do Conselho de Administração.

A vitória da Pharol e dos restantes acionistas, no entanto, não agradou à Oi. A empresa brasileira insiste na concretização do aumento de capital, que considera “um dos itens fundamentais ” previsto no plano de recuperação judicial da empresa. Paulo Rosa nota que a Oi chegou a subir na Bolsa de São Paulo quase 4%, o que mostra que “a decisão do regulador brasileiro não teve grandes repercussões no desempenho da cotada”.

A cair está também o BCP, que perde 1,29% para 0,291 euros. O trader da Gobulling indica que o banco liderado por Nuno Amado “continua a ser pressionado pelas quedas na banca italiana, que contagiaram as bolsas europeias”. “A incerteza em relação à formação de uma coligação que permita a governabilidade do país, depois da vitória do partido antissistema Movimento Cinco Estrelas, levou a bolsa de Milão, e sobretudo os bancos italianos, a tombar e a arrastar o BCP, que vinha com um bom comportamento desde o anúncio da sua entrada no Stoxx 600, marcada para dia 19 de março”, afirma.

Os CTT, que esta quarta-feira apresentam resultados à CMVM, perdem 0,30% para 9,990 euros. Os analistas do Caixa BI estimam que a empresa tenha registado uma descida em torno dos 50% nos lucros. Paulo Rosa acrescenta ainda que o Morgan Stanley cortou o preço-alvo das ações dos CTT dos 4,15 euros para os 3,60 euros.

Em terreno negativo estão ainda a Galp Energia (-0,64%), a Sonae (-0,09%), a Altri (-1,28%), a EDP Renováveis (-0,07%), a Corticeira Amorim (-0,30%), a Sonae Capital (-1,97%) e a Novabase (-1,38%). De notar que esta última está de saída do PSI 20. A gestora do mercado de capitais português, Euronext, anunciou esta terça-feira que a empresa vai ser substituída pela F. Ramada, uma empresa de aços, armazenagem e ativos florestais. A mudança deverá ser efectivada no dia 19 de março.

A negociar em contraciclo, destaca-se a Mota-Engil. A empresa continua a trajetória de ganhos verificada nas últimas sessões e está agora a ganhar 1,33% para 3,800 euros. Em terreno positivo estão ainda a EDP (0,25%), a NOS (0,45%), a REN (0,41%), a Semapa (0,21%), a Navigator (0,14%) e a Ibersol (1,79%).

As restantes praças europeias negoceiam mistas. O índice alemão DAX perde 0,11%, o espanhol IBEX 35 desvaloriza 0,07%. Em sentido contrário, o francês CAC 40 sobe 0,20%, o britânico FTSE 100 avança 0,13%, o holandês AEX aprecia 0,16% e o italiano FTSE MIB ganha 0,42%.

“As bolsas estão muito concentradas e os futuros do S&P 500 estão a negociar em baixa, o que indicia uma abertura em terreno negativo das praças norte-americanas e está a penalizar os índices europeus”, afirma Paulo Rosa.

O trader indica ainda que esta quarta-feira os Estados Unidos divulgam o número de postos de trabalho criados no setor privado, que “vão dar uma perspetiva do que será o relatório do emprego, que vai ser divulgado na próxima sexta-feira e que é o dado macroeconómico mais importante nos Estados Unidos”. Os analistas estimam que tenham sido criados 200 mil postos de trabalho.

Esta quarta-feira vão ser ainda conhecidos dados da balança comercial dos Estados Unidos. “Este é um dado importante tendo em conta a guerra comercial aberta entre os Estados Unidos e a União Europeia por causa da proposta do presidente norte-americano, Donald Trump, de implementar tarifas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio”, explica Paulo Rosa. Os analistas acredita que a balança comercial em janeiro tenha sido negativa em 55 mil milhões de dólares, o que “espelha um défice comercial à volta dos 4%”, precisa o trader da Gobulling.

No mercado petrolífero, o Brent cai 1,20% para os 65,00 dólares por barril e o crude WTI desvaloriza 1,10% para os 61,91 dólares.

No mercado cambial, o euro valoriza 0,16%, para 1,242 dólares e a libra recua 0,13%, para 1,387 dólares.

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