Plano de ação do Montepio para 2017 aprovado por unanimidade

Entre os objetivos para o próximo ano estão “assegurar a sustentabilidade e reforçar os níveis de capital e liquidez” e ainda melhorar a eficiência, nomeadamente através da otimização da “rede comercial e serviços centrais” e da redução dos custos com fornecimentos e serviços externos.

A assembleia-geral da Caixa Económica Montepio Geral aprovou hoje o plano de ação para 2017, no qual o banco detido pela Associação Mutualista se propõe melhorar os rácios de capital e liquidez e reduzir custos, disseram à Lusa fontes envolvidas no processo.

Entre os objetivos para o próximo ano estão “assegurar a sustentabilidade e reforçar os níveis de capital e liquidez” e ainda melhorar a eficiência, nomeadamente através da otimização da “rede comercial e serviços centrais” e da redução dos custos com fornecimentos e serviços externos.

A reunião durou mais de quatro horas, entre as 15:00 e as 19:30, e terminou com a aprovação por unanimidade, pelos 23 membros que compõem a assembleia-geral, do plano de ação e orçamento para o próximo ano elaborado pela administração do banco Montepio, liderado por José Félix Morgado. O banco irá assim continuar o processo de reorganização e redução de custos no próximo ano.

Foi ainda aprovada uma recomendação para que o Conselho Executivo da Caixa Económica Montepio Geral leve em conta nas suas políticas as necessidades da Associação Mutualista Montepio Geral, acionista único da Caixa Económica.

Apesar da unanimidade desta votação, no Grupo Montepio não se vive um momento de consenso quanto ao futuro do grupo, sendo conhecido que o presidente da Associação Mutualista Montepio Geral e ex-presidente da Caixa Económica Montepio Geral, Tomás Correia, e o atual presidente da Caixa Económica Montepio Geral, Félix Morgado, discordam em vários assuntos.

A Caixa Económica Montepio Geral é a principal empresa do Grupo Montepio, tendo apresentado até setembro um prejuízo de 67,5 milhões de euros, um resultado que compara com perdas de 59,5 milhões de euros de igual período de 2015.

Hoje o Público avançava que o Banco de Portugal deduziu acusações contra o banco e dois antigos gestores, Tomás Correia e Almeida Serra, por deficiências no controlo de movimentos financeiros ilícitos. O jornal revela que devido a estas falhas, o Montepio arrisca-se a pagar entre 50 mil e cinco milhões de euros. Em causa estão deficiências no sistema de controlo interno do banco na prevenção de branqueamento de capitais e do financiamento ao terrorismo, falhas que foram detetadas numa auditoria forense, realizada em 2015 pela Deloitte, e que estiveram na base da acusação pelo departamento de Ação Sancionatória (DAS) do Banco de Portugal.

Numa edição anterior o Jornal Económico avançava que o Banco de Portugal forçou o Montepio a passar a Sociedade Anónima, foi uma espécie de ring-fencing do banco à exposição ao risco da Associação mutualista.

A assembleia-geral da Caixa Económica é composta pelo Conselho Geral da Associação Mutualista, que integra 23 membros, sendo que 12 são diretamente eleitos pelos associados (atualmente oito membros da lista que foi encabeçada por Tomás Correia nas últimas eleições e quatro das outras listas concorrentes) e 11 por inerência enquanto membros de órgãos sociais (cinco do Conselho de Administração, três do Conselho Fiscal e três da mesa da assembleia-geral).

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