Pode a crise do Golfo ter impacto no Mundial 2022?

Estima-se que o país gasta cerca de 500 milhões de dólares (cerca de 445 milhões de euros) por semana na construção de infraestruturas para acolher o Mundial. A FIFA diz-se atenta a esta situação.

Esta segunda-feira ficou marcada pela crise diplomática que se instaurou no Golfo. Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Líbia e Maldivas anunciaram o rompimento de relações diplomáticas com o Qatar.

Segundo vários especialistas esta tensão pode ter impacto na organização do Mundial de Futebol 2022.

“É um grande aumento de pressão sobre o Qatar”, garante Kristian Ulrichsen, especialista na região do Golfo Pérsico do Instituto Baker de Houston, nos Estados Unidos, citado pela Agence France-Presse (AFP). “Acho que vai ter um verdadeiro impacto, caso [a tensão] dure muito termpo”, afirma.

A FIFA teria escolhido o país do Médio Oriente para ser o palco do evento por se tratar de uma nação politicamente segura.

Umas das opções em cima da mesa é mudar a localização da competição para os Estados Unidos, uma vez que perdeu a luta para o Qatar, na decisão tomada em 2010.

No comunicado da FIFA enviado à AFP, a federação garantiu que mantém contacto regular com a organização do Mundial no Qatar e que “não tem nada a comentar no momento”.

“Quanto mais nos aproximarmos de 2022, mais exposto o Qatar vai estar. Em termos de reputação, isso é um grande problema para o país”, garante Simon Chadwick, professor de economia do desporto da Universidade Britânica de Salford.

Poucas horas depois do corte das relações diplomáticas entre Arábia Saudita e o Doha, o clube de futebol Al Ahli anunciou o fim do patrocínio que mantém com a companhia aérea “Qatar Airways”, um contrato avaliado em 14 milhões de euros, segunda a agência.

O ministro das Finanças do Qatar, Ali Shareef Al-Emadi, disse ao The Guardian em fevereiro que o país está a gastar cerca de 500 milhões de dólares (445 milhões de euros) por semana em projetos de infraestrutura, algo que vai continuar durante os próximos três ou quatro anos para o país estar pronto a acolher o torneio em 2022.

Doha também enfatizou que a competição é benéfica para toda a zona do Golfo. Nasser Al-Khater, uma das principais figuras na organização do Mundial, afirmou recentemente que devem chegar à capital cerca de 1,3 milhões de fãs , a maioria proveniente do Golfo e principalmente da Arábia Saudita.

O porto de Fujairah dos Emirados Árabes Unidos impediu todos os navios que transportem material para o Qatar. Esta proibição pode atrasar a construção dos estádios e de outras infraestruturas previstas para o Mundial.

 

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“As medidas são injustificadas e baseiam-se em alegações que não têm razão de ser”, responde o país. As companhias aéreas Ethiad e Emirates suspenderam os voos para Doha.
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