Portugal coloca 1.250 milhões com juros negativos, mas mais elevados

As taxas de colocação ficaram ligeiramente dos mínimos históricos conseguidos em janeiro para emitir dívida de curto prazo com as mesmas maturidades. Ainda assim, o Tesouro conseguiu taxas negativas.

D.R.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP emitiu esta quarta-feira 1.250 milhões de euros em dívida a seis e 12 meses, o montante máximo indicativo. Apesar de ter conseguido juros negativos, Portugal pagou taxas ligeiramente acima das conseguidas no último leilão comparável.

“As taxas que Portugal vai pagar por esta dívida de curto prazo saíram em linha com o mercado e ligeiramente abaixo das taxas das emissões anteriores comparáveis”, disse João Queiroz, diretor de negociação do Banco Carregosa.

“Continuamos a beneficiar de condições de liquidez facilitadas pela política do Banco Central Europeu (BCE) e de uma perceção do risco pouco realista”, explicou.

Na emissão de Bilhetes do Tesouro com maturidades em 21 de setembro, o Tesouro colocou 350 milhões de euros, com uma taxa de -0,424%. O valor compara com uma taxa negativa de -0,425%, conseguida a 17 de janeiro deste ano.

Já na colocação de BT com prazo a 22 de março de 2019, o montante foi 900 milhões de euros, enquanto a taxa de colocação foi de -0,394%. Também esta ficou ligeiramente acima dos -0,398%, no último leilão comparável.

Nos dois casos, em janeiro, Portugal tinha conseguido as taxas mais negativas de sempre.

Queiroz sublinhou que “apesar do aumento de volatilidade e de risco no mercado, desde janeiro deste ano, e mesmo apesar de as taxas de longo prazo terem subido, a procura aumentou face às últimas emissões de dívida”.

A procura por BT a seis meses foi 2,99 vezes superior à oferta (em comparação com os 2,19 vezes de janeiro), enquanto por títulos a 12 meses, a procura superou a oferta em 2,12 vezes a oferta (acima das 1,7 vezes no último leilão).

“Isto significa que o mercado está a acreditar no curto prazo, ou seja, que o BCE não vai subir os juros, pelo menos até ao final deste ano. Isso justifica também a procura mais forte nos leilões”, acrescentou o diretor de negociação do Banco Carregosa.

[Notícia atualizada às 11h10 com comentário]

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