Portugal volta a pagar juros negativos para emitir 1.750 milhões de euros

O Tesouro conseguiu emitir o montante máximo indicativo em dois leilões de Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses. Pagou uma taxa mais elevada na maturidade mais curta e mais baixa na mais longa, em comparação com o último leilão.

D.R.

O Tesouro português emitiu 1.750 milhões de euros em dívida de curto prazo, esta quarta-feira, tendo voltado a pagar juros negativos. As taxas de colocação de Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses seguiram sentidos contrários, tendo descido na maturidade mais curta e subido na mais longa, em comparação com o último leilão. A procura foi mais robusta em ambos os casos.

“A taxa nos seis meses subiu ligeiramente e a taxa nos 12 meses desceu ligeiramente, mantendo-se ambas negativas, o que é uma boa notícia para o financiamento do país que recebe juros quando pede emprestado”, explicou Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

No caso das BT com prazo em 19 de julho de 2019, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP colocou 1.350 milhões de euros, com uma taxa de -0,28%. O valor compara com os  -0,272% que o Tesouro tinha pago num leilão comparável, em maio.

Já nos títulos com maturidade em 18 de janeiro de 2019, foram emitidos 400 milhões de euros, com um juro de -0,339%. Também este acima dos -0,351% de maio.

“A procura subiu ligeiramente face aos últimos leilões comparáveis, mas nada de muito relevante. É também natural ter havido mais procura na dívida com o prazo mais longo. O Estado faz bem em aproveitar este período de juros negativos para ir substituindo (fazendo o rollover) dívida antiga”, acrescentou Filipe Silva.

A procura por títulos de dívida de curto prazo do Tesouro português subiu, tendo superado a oferta em duas vezes no caso das BT a 12 meses (face a 1,65 vezes no leilão de maio). Na maturidade mais curta, foi 2,4 vezes superior à oferta, também mais robusta que as 1,73 vezes da última colocação.

Ler mais

Relacionadas

Bom momento deverá beneficiar Portugal em novo leilão de dívida de curto prazo

Os juros negativos têm sido a tendência nas colocações de dívida de curto prazo e “como não houve mais novidades sobre a subida de juros, não há motivos para qualquer alteração”, segundo o diretor da gestão de activos do Banco Carregosa.

IGCP vai ao mercado com dois leilões de dívida de curto prazo no dia 18 de julho

O IGCP vai emitir até 1.750 milhões de euros na próxima semana através de bilhetes do Tesouro com maturidades de três e seis meses, anunciou a agência que gere a dívida do Estado em comunicado.
Recomendadas

PSI 20 acompanha Europa em alta. Títulos do Grupo EDP impulsionam praça nacional

O principal índice bolsista português soma 0,46%, para 4.855,54 pontos.

Abrandamento da economia poderá ser entrave para Moody’s igualar as pares na avaliação de Portugal

A Moody’s tem agendada uma avaliação à notação da dívida soberana portuguesa esta sexta-feira. A agência poderá querer alinhar-se com a S&P e a Fitch através de uma subida de um grau para ‘Baa2’, mas as incertezas que estão a esfriar o crescimento da economia global poderão ser motivo para manter o ‘status quo’.

Acalmia cambial trouxe bons resultados em Wall Street

O índice tecnológico S&P, .SPL.RCT, que inclui empresas que têm uma maior exposição ao mercado chinês e estiveram no centro das vendas registadas na segunda-feira, foi aquele que mais valorizou nesta sessão, com um crescimento de 1,61%.
Comentários