Portugal vai antecipar pagamento de mil milhões de euros ao FMI até ao final do mês

Mário Centeno aguarda aprovação das instituições europeias para proceder ao pagamento antecipado ao FMI. Governo quer pagar até ao final de junho mil milhões de euros.

Cristina Bernardo

Portugal pretende reembolsar antecipadamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) em mil milhões de euros até ao final de junho. A informação é avançada pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, à Bloomberg TV.

Mário Centeno indicou à agência financeira que Portugal “até ao final do mês” tem condições de “reembolsar já mil milhões de euros”, aguardando apenas a luz verde do Conselho de ministros das Finanças da União Europeia que irá reunir esta sexta-feira.

“Começaremos em breve, assim que tivermos a autorização formal das instituições europeias”, disse o ministro das Finanças, acrescentando que o país tem capacidade para manter a almofada financeira enquanto continua a proceder aos reembolsos antecipados nos próximos 30 meses.

Recorde-se que o pagamento antecipado ao FMI visa sempre a aprovação do Mecanismo Europeu de Estabilidade, uma vez que os restantes países necessitam aprovar a renúncia de uma cláusula que estipula que os  pagamentos antecipados têm de ser proporcionais entre todos os credores, dos contratos de empréstimos concedidos.

O Governo português tinha pedido na última reunião do Eurogrupo, a 23 de maio, para reembolsar antecipadamente o FMI em 10 mil milhões de euros, no âmbito dos empréstimos concedidos pelo durante o programa de ajuda financeira.

Portugal já devolveu mais de 14,500 milhões de euros dos 26 milhões concedidos pelo FMI. Recorde-se que os restantes 52 milhões de euros foram emprestados pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira e do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira.

Nesta quinta-feira, o ministro das Finanças de Angela Merkel classificou Portugal como um caso de sucesso entre os programas de resgate financeiro, apontando como exemplo disso o pedido de pagamentos de empréstimo antecipado à instituição liderada por Christine Lagarde.

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