Postura de Ricardo Robles é “lamentável”, diz líder da JSD

A líder da JSD considera que Robles tem sido incoerente porque, uma vez que se mostra publicamente contra a especulação imobiliária, na sua esfera pessoal “considera que não há mal nenhum ser ator dessa especulação”.

Cristina Bernardo

Margarida Balseiro Lopes, líder da Juventude Social Democrata (JSD), considera que a postura do vereador do Bloco de Esquerda, Ricardo Robles, “é lamentável, porque defende uma coisa e faz outra”, em declarações ao Jornal Económico.

O vereador tem sido acusado, na esfera política, de hipocrisia e de incoerência porque colocou no mercado um imóvel por 5,7 milhões de euros depois de o ter adquirido por 347 mil euros em 2014. Robles sempre tem sido um crítico feroz da especulação imobiliária.

Balseiro Lopes, questionada sobre o facto dos titulares de cargos públicos terem o dever de comportar-se, na esfera privada, de forma análoga às suas ideias políticas, revelou a este Jornal que “é esse o ponto [da questão]”. Adiantou ainda “este só é um caso porque o discurso do Bloco de Esquerda e do seu vereador Ricardo Robles é de ataque moralista e de condenação da especulação imobiliária. Mas, na prática e no seu caso pessoal, [Ricardo Robles] considera que não há mal nenhum em ser actor dessa especulação imobiliária”.

Sobre a postura do vereador neste caso, Balseiro Lopes diz que é “lamentável”. Porquê? “Porque defende uma coisa e faz outra. Ricardo Robles escrevia recentemente que os ‘lisboetas merecem ser defendidos perante o bulling e a especulação imobiliária’ ”. “Defender de pessoas como Ricardo Robles? Apetece perguntar”, concluiu.

Ricardo Robles defende-se em conferência de imprensa

Ricardo Robles esteve esta sexta-feira, 27 de julho, em conferência de imprensa na sede do Bloco de Esquerda em Lisboa. Segundo o vereador, o PSD exigiu a sua demissão, prontamente recusada por Robles porque, da sua parte, “não resulta qualquer incoerência”.

Ricardo Robles também explicou à comunicação social que a compra do prédio em Alfama se destinava, em princípio, à habitação da família, arrendando a parte restante. A irmã, emigrante e co-proprietária do imóvel, tinha intenções de voltar para Portugal. No entanto, casou-se com um alemão, alterando assim os seus planos de regressar ao país.

Ricardo Robles disse que “foram as alterações das condições de vida da irmã que justificaram pôr o prédio à venda” por 5.7 milhões de euros, conforme a avaliação feita por uma imobiliária de luxo. O prédio esteve no mercado até abril de 2018 e, porque a “compra existiu, mas a venda não”, Robles argumenta que não fez especulação imobiliária.

De resto, revelou, “a decisão de venda não estava nos meus planos e continua a não estar”. A irmã do vereador quer vender a sua quota-parte o que motivou a implementação da propriedade horizontal do imóvel. “Sempre defendi o direito à habitação e, como proprietário, estou a respeitar esse direito”, disse Robles.

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