Preocupações com Itália chegam aos EUA. Wall Street fecha em queda

Na primeira sessão da semana, já que segunda-feira foi feriado nos EUA, Wall Street não ficou imune à tendência negativa que imperou nos mercados europeus.

Reuters

Wall Street fechou esta terça-feira em terreno negativo, na primeira sessão da semana, após o feriado de comemoração do Memorial Day nos EUA. O S&P 500 e o Dow Jones sofreram mesmo a maior queda percentual diária em um mês, devido à instabilidade política em Itália.

O índice industrial Dow Jones caiu 1,58% para 24.361,45 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 perdeu 1,16% para 2.689,86 pontos e o tecnológico Nasdaq recuou 0,5% para 7.396,59 pontos.

“Wall Street estreia na semana com o mesmo comportamento negativo das congéneres europeias. O dólar continua a ganhar terreno face ao euro devido à instabilidade politica na Europa”, explicou Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium investment banking, num dia em que a moeda norte-americana valorizou 0,75% contra o euro para 1,1539%.

Os EUA estão a ser contagiados pela tendência nos mercados europeus, onde as principais bolsas fecharam também em terreno negativo. Três meses depois das eleições legislativas em Itália, parecia certo que Giuseppe Conte iria formar governo. No entanto, acabou por desistir quando Paolo Savona, um economista que é contra o euro e a União Europeia, foi rejeitado pelo presidente da República para ministro da Economia.

O presidente convidou esta segunda-feira o economista Carlo Cottarelli para formar um governo e apresentar ao Parlamento um programa que leve o país a novas eleições. Até, pelo menos, setembro, Itália irá continuar com um governo provisório.

A política italiana não é a única a preocupar os investidores, com os analistas apontarem também para Espanha, onde o governo de Mariano Rajoy enfrenta uma moção de censura apresentada pelos socialistas e que será votada esta sexta-feira.

Neste contexto, as yields das dívidas soberanas dos países do sul da Europa dispararam, enquanto os investidores procuraram refúgio nas Bunds alemãs. Também as Treasuries norte-americanas a 10 anos beneficiaram, tendo os juros aliviado 15 pontos base para 2,78%.

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