Prevenção Rodoviária quer novas regras na formação de condutores de motos

O número de mortes entre os utilizadores de veículos de duas rodas disparou no ano passado. Os exames de condução roçam o anedótico, e a Prevenção Rodoviária Portuguesa quer alterar as suas regras.

Cristina Bernardo

O relatório da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) divulgado hoje apresenta dados preocupantes em relação à sinistralidade rodoviária com motociclos – que tem vindo a subir exponencialmente, dado a crescente utilização deste tipo de veículos.

Nesse quadro, a PRP avança no mesmo relatório com recomendações específicas para aquele tipo de veículos, na tentativa de reduzir aqueles números alarmantes. Assim, pode ler-se no relatório que, por forma a reduzir-se a sinistralidade, “a PRP recomenda a reformulação de todo o sistema de formação de motociclistas”.

Para o presidente da PRP, José Miguel Trigoso. “a formação de condutores de motociclos apresenta muitas deficiências, nomeadamente na sua vertente prática. O único exercício destinado à aprendizagem do domínio do veículo praticado durante a formação é a realização de um ‘oito’, dado ser esta a única manobra exigida em exame. Isto significa que não existe nenhuma exigência no exame, de forma a que a formação que contemple a correta posição de condução para cada tipo de motociclo, a forma correta de se posicionar na via para curvar, a forma correta de curvar (incluindo onde travar e onde acelerar) e, principalmente, a forma correta de utilizar o sistema de travagem. Ou seja, ninguém aprende a curvar nem a travar, em qualquer tipo de situação de emergência!”

Ainda de acordo com o mesmo responsável, “o Guia para a prova prática – categoria A1, A2 e A” desenvolvido em 2015, é um bom ponto de partida para um modelo de prova prática, embora deva ser completado com uma prova de estrada mais completa, incluindo auto-estrada ou via equiparada e zona urbana”.

Para além da reformulação do sistema de avaliação, que leve à reformulação do sistema de formação, a PRP recomenda também o incentivo à utilização de equipamentos de segurança por parte do condutor (luvas, blusão, dorsais ou equipamentos com sistemas de airbags – através da promoção da importância da sua utilização e de incentivos fiscais), no motociclo (utilização de sistemas ativos de segurança, nomeadamente controlo de tração e repartidor de travagem) e na infraestrutura (utilização de materiais adequados para as marcas rodoviárias no pavimento, nomeadamente passadeiras e linhas contínuas, de forma a evitar a perda de aderência com chuva e balizas de sinalização flexíveis em vez de pilaretes rígidos junto das faixas de rodagem). É também necessário um reforço da fiscalização, sobretudo da velocidade.

“Embora a responsabilidade dos acidentes não possa ser atribuída apenas aos motociclistas, as especificidades dos veículos de duas rodas e a sua vulnerabilidade no trânsito fazem com que estes devam redobrar a atenção ao ambiente rodoviário, praticando uma condução defensiva”, adianta o relatório.

Os dados do relatório mostram que o ano de 2017 ficou marcado por um forte aumento da sinistralidade rodoviária dos utentes de motociclos. Em relação a 2016, as vítimas mortais aumentaram de 43 para 92 (mais 114,0%) e os feridos graves de 318 para 399 (mais 25,5%) – dados da ANSR (vítimas a 24 horas). Esta forte subida veio interromper uma tendência de descida de mais de uma década, apesar do aumento significativo e constante do número de motociclos: entre 2006 e 2016 o número de mortos tinha descido de 120 para 43 (menos 64%), enquanto o número de motociclos em circulação tinha subido de 164.763 para 280.412 (mais 70%).

Para José Miguel Trigoso, “durante o ano de 2017 terá havido um aumento do volume de circulação dos motociclos significativamente superior ao aumento do número de veículos em circulação, devido fundamentalmente a dois fatores: menor número de dias de chuva e fomento da utilização deste tipo de veículos, devido ao aumento de lugares para estacionamento gratuito, aos muito menores custos de transporte e ao muito menor tempo de viagem no trajeto casa-trabalho.”

É por isso de prever o aumento da utilização destes veículos, dado que a sua utilização regular é ainda inferior à de países europeus com caraterísticas climatéricas semelhantes: apenas 2,9% dos portugueses afirma que, entre os três primeiros veículos mais utilizados, estão os veículos de duas rodas a motor (motociclos ou ciclomotores), face a 9,1% dos espanhóis, 7,4% dos franceses, 8,2% dos italianos e 11,7% dos gregos.

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