PT morta. PT posta

Quem será o novo dono da PT? Ex-quadros da empresa estiveram em Londres a convencer fundos de investimento. O momento não é o melhor e a crise do BES levou-os a perder milhões. Será difícil esquecer. Por aquilo que se sabe o resultado é um insucesso. Das “majors” não parece haver interesse. Para já apenas […]

Quem será o novo dono da PT? Ex-quadros da empresa estiveram em Londres a convencer fundos de investimento.
O momento não é o melhor e a crise do BES levou-os a perder milhões. Será difícil esquecer. Por aquilo que se
sabe o resultado é um insucesso. Das “majors” não parece haver interesse. Para já apenas os franceses da Altice
fizeram o trabalho de casa.

A Portugal Telecom precisa de estabilidade e voltar a ter uma visão internacional. Precisa de estratégia e de ver mais alto e mais além. O “porta-aviões” português está prestes a afundar. De uma grande multinacional, com presença global, está prestes a cair numa empresa local.

O grande mercado brasileiro está a ser o seu calvário. A ligação à espanhola Telefónica levou a um confronto no Brasil e a PT trocou dinheiro por um dos maiores mercados do mundo. Interesses não explicados levaram a PT a afastar-se de uma potencial ligação ao grupo Sonae/Optimus. A promessa de altas remunerações aos acionistas levou a empresa a desinvestir em posições estratégicas e a pagar chorudos dividendos. A PT tornou-se o “cash cow” do Banco Espírito Santo. A venda da Vivo e a compra da Oi marcam o cavar da sepultura. Bava, o CEO na altura, reage à pressão dos acionistas BES e Caixa/Estado e compra uma empresa tecnologicamente ultrapassada, e com uma estrutura acionista que não dominava. Estava em minoria de capital e com sócios que não eram do setor mas que se queriam aproveitar do potencial que as telecomunicações poderiam gerar na construção civil, serviços financeiros e outras áreas. A perda mais recente da licença 4G deixou a Oi vulnerável a uma compra. E neste cenário, ou compra ou é comprada e a brasileira Tim da Telecom Italia é o parceiro que se segue.

Entretanto avançou o processo de fusão com a PT SGPS e o processo de fusão levou a que ativos que integram a PT Portugal (Meo) passassem para o universo da Oi. Esta, ainda com gestão de Zeinal Bava tem de tomar decisões e precisa de cash. Vender ativos é uma das opções e as posições do grupo PT em África passam a descartáveis e estão atualmente em negociação. Algumas destas posições têm gerado mal-estar, caso da angolana Unitel, onde a empresária Isabel dos Santos tem posição dominante (assim como no novo grupo Nos, herdeiro das áreas de telecomunicações da Sonae).

Entretanto, e sem o conhecimento do ainda CEO da Oi, Zeinal Bava, os grandes acionistas da empresa brasileira fizeram sondagens exploratórias para uma liderança na gestão e declararam que os ativos em Portugal (PT Portugal, pois a PT SGPS tem uma posição acionista na Oi e as obrigações da Rioforte que estão em incumprimento) são passíveis de alienação.

O grupo PT está prestes a desaparecer ou, no melhor dos casos, a perder a identidade. Os quadros brasileiros da Oi estão a deixar de reportar e de obedecer a projetos onde os quadros portugueses estão na liderança. A desagregação e a desmotivação é patente. A PT precisa de ganhar uma nova direção e de ganhar gestão que retome o papel europeu e africano, sobretudo em mercados jovens e de forte crescimento. A área de inovação da PT é internacionalmente reconhecida e o peso de mercado que tem em Portugal faz com que o grupo possa ser o seu próprio “cash cow” e não de grandes grupos acionistas.

 

Quem são os candidatos

Zeinal Bava e outros ex-quadros da PT

O ex-CEO da PT SGPS e da Oi, Zeinal Bava tem um conjunto de quadro superiores que o poderão acompanhar num eventual interesse. Tem o natural problema de falta de fundos, embora os contactos internacionais que Bava foi trabalhando ao longo de muitos anos na área financeira e de telecomunicações, possam resolver o problema. O regresso de Bava poderia atrair a própria Telefónica, o que poderia ajudar a PT a regressar à lusofonia. Há informações que indicam que haverá exquadros a conversar com a companhia espanhola. Outros quadros terão estado em Londres a tentar convencer fundos de investimento, mas sem sucesso. O momento para o investimento nas telecomunicações não é o melhor.

Espanhóis da Telefónica

A Telefónica é um potentado mas é, definitivamente, a entidade que menos interessa aos colaboradores da PT Portugal. As negociações de há dois anos para a venda da brasileira Vivo demonstram a facilidade com que amigos passam a oponentes, a par da capacidade de pressão financeiro e política que a espanhola tem. A concentração e funções de gestão, de decisão e de investigação e desenvolvimento sairão de Portugal. A Telefónica tem 21% dos seus negócios centrados na América do Sul, com destaque para o Brasil e será com certeza nesta geografia que se vai querer concentrar. O México é outra geografia de grande interesse para os espanhóis. Definitivamente a lusofonia não os atrai, tanto Portugal como África.

Franceses da Altice

Os franceses da Altice são o grupo mais ativo na procura de um interlocutor válido para a eventual compra dos ativos da PT Portugal. Estiveram no Brasil com os acionistas da Oi (que detém a PT Portugal) e já estiveram em Portugal onde falaram com o vice-primeiro ministro Paulo Portas e com a administração do Novo Banco liderada por Eduardo Stock da Cunha. São um grupo europeu, e em França já são o segundo grupo mais relevante do setor das telecomunicações e segundos em Israel. Têm como ponto forte o facto de nunca terem vendido quaisquer ativos e em Portugal têm a Oni e a Cabovisão. Poderão aproveitar o know-how da PT a nível do centro de inovação. Mas, “não há bela sem senão”: o percurso histórico na integração das empresas é sensível. Na Oni, e independentemente do investimento feito, endureceram as negociações com os fornecedores e com a Cabovisão a abordagem não foi menos dura. Não se espera menos dos fornecedores da PT Portugal.

Fundo suíço da Springwater

Depois de comprar a área de viagens do Grupo Espírito Santo, o fundo Springwater poderá tentar mais um negócio. Desta feita os alvos podem ser as telecomunicações portuguesas, com destaque para o interesse na Meo. Tal como a generalidade dos fundos e dos private equity, este será mais um ativo para “engordar” e vender. Haverá pouco valor acrescentado e estratégico, dizem analistas.

 

Quem vai à frente

1º • Altice
Fez o trabalho de casa. Falou com acionistas. Há preços de referência pelos ativos. Precisa de crescer em Portugal onde tem pequenas operações. Quer aproveitar os recursos internos a nível de inovação e pesquisa. Não tem sobreposições de negócio.

2º • Ex-quadros da PT
Zeinal Bava é sempre uma grande alternativa. O seu nome e experiência valem tanto como uma “major” do setor. Foi ultrapassado pelos acionistas da Oi e vai querer demonstrar que é capaz. Tem uma equipa com ideias e capacidade. Precisa de demonstrar que o quer fazer e os seguidores precisam de lhe criar a vaga de fundo. Aliás, logo que foi conhecida a demissão da Oi, saiu o rumor de que o maior magnata das telecomunicações, o mexicano Carlos Slim, o teria convidado para trabalhar no seu grupo. E se Slim fosse o investidor que Bava precisa?

3º • Fundo Springwater
É uma hipótese remota. Está mal classificado e não é do interesse de quase ninguém. Seria uma solução de último recurso.

4º • Telefónica e Vodafone
São dois “monstros” nas telecomunicações. A primeira empresa nunca se pronunciou, mas o mercado lançou este nome, possivelmente para fazer subir o interesse. Mas a Vodafone tem de resolver as questões internas. No final do ano a ATT era dada como potencial interessado na companhia inglesa. A espanhola Telefónica tem outros interesses fora da ibéria, caso do México, e tudo indica que estará fora desta corrida, para alívio de muitas áreas do grupo PT que a viam como ameaça.

 

Os 10 maiores operadores europeus de telecomunicações

DEUTSCHE TELEKOM NO TOP 4 DOS EUA

A Deutsche Telekom (DT) é a maior companhia de telecomunicações da Alemanha e da Europa. Nos EUA é o quatro maior operador móvel, onde consegue 26% do total dos seus negócios. A Grécia é já o seu terceiro maior mercado. Está presente no Brasil através da sua filial T-Systems. A DT disponibiliza comunicações fixas, móveis, Internet e soluções tecnológicas de comunicação para empresas. A operadora nasceu em 1995, fruto da privatização da Deutsche Bundespost. No entanto, o Estado alemão ainda possui diretamente 15% das suas ações, além de outros 17% através do banco do estatal KfW Bankengruppe. Com uma capitalização bolsista 48,3 mil milhões de euros, o lucro líquido da BT mais que triplicou no primeiro trimestre de 2014, para 1,82 mil milhões de euros. A venda de 70% do grupo Scout24 explica o aumento dos ganhos. Emprega 250 mil pessoas em todo o mundo.

TELEFÓNICA COM MAIS DE 317 MILHÕES DE CLIENTES

A espanhola Telefónica está presente em 24 países da Europa e América Latina. Tem mais de 130 mil colaboradores e uma base de clientes que supera os 317,3 milhões. Estes são alguns números que fazem da Telefónica uma das líderes mundiais das operadoras integradas de telecomunicações, oferecendo soluções de comunicação, informação e entretenimento. A Telefónica tem hoje um dos perfis mais internacionais do setor: gera mais de 75% dos seus negócios fora do mercado doméstico e é uma referência nos mercados de língua espanhola e portuguesa. O Grupo ocupa a nona posição do setor de telecomunicações em termos em termos de capitalização bolsista, a primeira como operador europeu integrado. Na América Latina, a Telefónica presta serviços a mais de 214,9 milhões de clientes. É líder de mercado no Brasil, Argentina, Chile e Peru e ocupa posições relevantes na Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, Uruguai e Venezuela. Na Europa, além da Espanha, o Grupo está presente no Reino Unido, Alemanha, República Tcheca e Eslováquia, atendendo mais de 101,8 milhões de clientes. Em 2013, obteve receitas no valor de 57 mil milhões de euros, dos quais 12,2 mil milhões ficaram a cargo da Telefónica Brasil, que representa 21,4% do total. No segundo trimestre de 2014 lucrou 1,21 mil milhões de euros.

VODAFONE COMPRA OU É COMPRADA?

O Grupo Vodafone é a empresa de telecomunicações móveis com maior presença a nível mundial. Em março de 2012 contava com uma base de 404 milhões de clientes em mais de 30 países, estando a marca também presente em mais 40 países através de redes parceiras. A empresa oferece serviços móveis e fixos (voz, Internet e televisão. A aposta da Vodafone é a “convergência entre o telemóvel, o computador e a Internet”. No ano fiscal de 2014, a empresa teve um lucro de 16,2 mil milhões de euros, valor que deverá descer no próximo ano, pois a Vodafone prevê investir vários milões de euros na sua rede e 24 mil milhões de euros, nos próximos dois anos, na Europa e nas suas operações em mercados emergente. Mas será a Vodafone uma compradora ou estará prestes a ser comprada. Há rumores para as duas situações. Em agosto corria que a Vodafone se preparava para comprar, no Brasil, a Vivo, a Tim ou a Claro, como forma de entrar no mercado brasileiro. A Vodafone já está no Brasil desde novembro de 2013, mas atua apenas no setor corporativo e no M2M, o chamado “machine to machine”. Mas, no mesmo mês, voltaram os rumores de que a gigante americana AT&T poderá fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) à Vodafone Group. Na altura, indiferente às conversas – ou não – a companhia inglesa anunciou uma aquisição em território grego.

ORANGE QUER COBRIR FRANÇA COM FIBRA

A Orange, a antiga France Telecom, é a principal empresa de telecomunicações francesa e a 105ª no ranking mundial. Emprega cerca de 161 mil pessoas, das quais 80 mil estão fora de França. Possui cerca de 239 milhões de usuários no mundo. A Orange desenvolve e comercializa três grandes famílias de serviços: comunicação residencial; comunicações pessoais; e serviços de comunicações empresariais. Na área residencial, a Orange conta com serviços de telefone fixo, Internet, televisão digital e conteúdos multimédia de pay-per-view. A empresa tem forte presença na África francófona e está presente em nove países europeus além de França. Tem mais de 7 mil milhões de terminais conectados à Internet e espera chegar em 2015 a 15 mil milhões. Está atualmente a expandir a tecnologia 4G em França, ao mesmo tempo que tem um programa em curso para cobrir França com rede de fibra para fornecer Internet de alta velocidade e outros conteúdos multimédia. No final de 2013 a empresa tinha 1/3 do país coberto com uma meta de cobrir 60% das famílias francesas em 2020.

LIBERTY GLOBAL, A GIGANTE DO CABO

A norte-americana Liberty Global apresenta-se como a “maior companhia mundial por cabo”. É uma multinacional de telecomunicações e televisão. Foi formada em 2005 pela fusão do ramo internacional da Liberty Media e UGC (a United) e é um dos maiores provedores de banda larga fora dos Estados Unidos. Em 2013, tinha um volume de negócios de 11,5 mil milhões de euros, tendo registado um prejuízo de 762 milhões de euros. A empresa opera em 14 países e empresa cerca de 35 mil pessoas. Em fevereiro de 2013, a Liberty Global anunciou a compra da empresa de cabo britânica Virgin Media, por 13,8 mil milhões de euros. Já em 2014 comprou a holandesa Ziggo por 7,9 mil milhões de euros.

BRITISH TELECOM, UM DOS MAIORES EMPREGADORES DO REINO UNIDO

A britânica BT Group tem operações em mais de 170 países. Fundada em 1846 como The Electric Telegraph Company a BT registou em Março de 2014 um volume de negócios de 23,2 mil milhões de euros, empregando mais de 101 mil funcionários. A BT é uma operadora global de serviços integrados de tecnologias de informação e telecomunicações, fornecendo soluções convergentes para milhares de organizações. As suas principais atividades passam pela prestação de serviços de telefonia fixa, banda larga, móvel e TV, produtos e serviços, bem como os serviços de tecnologias de informação em rede. No Reino Unido é líder de serviços de comunicações aos consumidores, pequenas e médias empresas e do setor público. A empresa emprega 87 800 pessoas a tempo inteiro em 61 países, dos quais 72 mil estão baseados no Reino Unido, sendo o 15º maior empregador do país.

TELECOM ITÁLIA DOMINA BRASIL

A Telecom Italia é a maior empresa de telecomunicações italiana. Foi fundada em 1994 pela junção de várias empresas de telecomunicações do Estado, sendo a mais importante a Società Italiana per l’Esercizio Telefonico (conhecida como SIP). É mais conhecida pelo seu braço de telefonia móvel, a Telecom Italia Mobile, a maior do mercado italiano e segunda no Brasil. Também possui operações na Argentina (Telecom Argentina), na Bolívia (Entel), em Cuba (ETECSA). O Grupo está também ativo na América do Norte, África e Ásia. No primeiro semestre de 2014 teve um volume de negócios de 10,551 milhões de euros, contando com 65 800 trabalhadores.

TELENOR BRILHA NA ÁSIA

A Telenor, operadora de telecomunicações norueguesa, dedica-se essencialmente às redes sem fios, com operações na Escandinávia, Europa Oriental e a Ásia. Além disso, tem operações de banda larga e TV em quatro países nórdicos. Está assim presente, na Europa, na Noruega, Suécia, Dinamarca, Hungria, Sérvia, Montenegro e Bulgária e, na Ásia, na Tailândia, Malásia, Bangladesh, Paquistão, Índia e Myanmar. Cerca de 45% dos negócios da Telnor têm origem nos mercados asiáticos. No segundo trimestre conseguiu um volume de negócios de 3,2 mil milhões de euros, ganhando mais dois milhões de novos subscritores dos seus serviços. Este mês anunciou a compra da totalidade da operadora indiana Uninor.

ALTICE QUER INVESTIR A LONGO PRAZO

A Altice, multinacional francesa de televisão por cabo, de telecomunicações e de empresas de comunicação, marca já presença em Portugal, onde detém a Oni e a Cabovisão. Fontes da empresa garantem que a Altice tem “capacidade de investir em inovação e recursos humanos” e que tem uma “estrutura acionista estável com perspetiva de investimento de longo prazo”. A Altice está também presente na Bélgica, Luxemburgo, República Dominicana e Suíça. A empresa está avaliada em 35,2 mil milhões de euros. Em França, as receitas ascenderam a 11,5 mil milhões de euros em 2013, onde detém 59,7% da Numericable e da SFR operadora móvel. Em Portugal, através da Cabovisão oferece os serviços de televisão, Internet de banda larga e de telefonia fixa. Em Portugal conta com 237 mil clientes de cabo e 603 mil serviços contratados, com as receitas a atingirem 210 milhões de euros no final do ano passado.

TELIASONERA ENTRA EM ANGOLA

A TeliaSonera tem um lema “From Norway to Nepal”. E é dos países nórdicos que chega aos locais mais distantes do mundo. Está no Azerbaijão, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Geórgia, Cazaquistão, Lituânia, Moldávia, Nepal, Noruega, Rússia, Espanha, Suécia, Turquia e Uzbequistão. Ao todo conta com quase 191 milhões de subscritores, empregando quase 26 mil pessoas. Este mês entrou no mercado angolano, através de uma parceria com a Angola Cables.

Por Vítor Norinha e Carlos Caldeira

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